Práticas Daoistas 2017-08-21T21:46:18+00:00

Sistema de Práticas Daoistas

Por milhares de anos, gerações de mestres e discípulos desenvolveram o sistema de práticas daoistas na região montanhosa de wudang, à semelhança do que aconteceu na Academia de Platão da antiga Grécia.

As Práticas Daoistas integram um sistema ancestral, desenvolvido ao longo de milénios por sucessivos mestres, para cultivar o ser humano. A abrangência destas práticas desenvolve-nos a vários níveis, reconciliando mente, coração, corpo e espírito, em um. Seguindo métodos alinhados à Natureza, regressamos à origem, orientando-nos ao Caminho (Dao). A origem destes ensinamentos remonta às montanhas de Wudang na China e segue o estilo Puro Yang. Uma respeitada e antiga linhagem oriunda do “Portão do Dragão da Escola da Realidade Completa do Daoismo” uma vertente que integrou de forma acessível, elementos do Budismo e Confucionismo pela entendimento natural do Daoismo.

Foi também na cordilheira montanhosa de Wudang que foram desenvolvidos os conceitos do Qi, Yin Yang, as Cinco Transformações, Baguá, Yi Jing, o sistema de Trigramas e Hexagramas, os Três Tesouros, Feng Shui, Acupuntura, Fitoterapia, etc. num terreno fértil ao estudo do homem, da natureza e dos aspetos mais profundos dos fenómenos. A Escola de Atenas na antiga Grécia desenvolveu inúmeros conceitos que enriqueceram o corpo de saber da cultura ocidental. De forma análoga a região de Wudang, com as suas inúmeras escolas, templos e mestres, desenvolveu inúmeros conceitos para desenvolver o saber nas mais variadas áreas e fenómenos. Continuando desde a antiguidade a praticar, desenvolver e validar os diversos conhecimentos acumulados.

Tal como na antiga Grécia, cada mestre opera como um tutor nas diferentes áreas, ensinando uns poucos discípulos as ricas e profundas teorias e práticas que cada aluno deverá estudar, desenvolver e constatar por si. Devido a diferentes factores geopolíticos e históricos, o corpo de conhecimento aprofundou o estudo do corpo físico e diferentes práticas para integrar as diferentes dimensões que compreendem um ser humano.

A mente, a razão, o conhecimento abstrato, a filosofia, os conceitos teóricos e tudo aquilo que poderíamos considerar como os aspetos mais “yin” do desenvolvimento foram e são largamente aprofundados. Paralelamente e de forma integrada, o corpo, o sentir, o saber da experiência direta, os exemplos concretos, a prática e tudo aquilo que podemos considerar como os aspetos mais “yang” do desenvolvimento foram e são largamente aprofundados. Assim tanto o mundo das formas e sem formas, os fenómenos e as interações entre estes revelam a função a cada momento da miríade de forma manifestas. Mente, corpo e coração são considerados complementares e inseparáveis de um todo indivisível e estudados de forma integrada.

A matéria e a vibração, o visível e o invisível, o abstrato e o concreto, o teórico e o prático, o objetivo e o subjetivo, o masculino e o feminino são conciliados através do estudo e das práticas. Por um lado é desenvolvido o pensamento por oposição, o discernimento, o raciocínio, a separação, o conhecimento, o pai do pensamento dualista e a compreensão das inúmeras variações do yin e do yang. Por outro lado é cultivada a reconciliação, a integração, a experiência direta, a percepção que é a mãe do sentir intuitivo. Assim tanto o mundo mais visceral, duro e comum (ordinário) é desenvolvido a par com o mundo mais subtil, suave e incomum (o extra), rumo a algo extraordinário que devido ao seu aspeto transcendente apenas poderá ser plena e profundamente entendido por experiência direta.

O mestre aponta a porta porém só o discípulo a poderá passar.”

Na China o sistema de Práticas Daoistas é conhecido pelo termo Xiuxen (修身) ou Xiudao (修道) literalmente significando “Cultivar do Dao (O Caminho” albergando o significado de realizar de forma natural, cultivar a verdade, reparar o corpo, reparar o Dao, caminhar para o Dao, reconciliar e integrar o ser ao caminho.

Estilo Puro Yang

Os conteúdos ensinados são maioritariamente, o resultado do conjunto de práticas daoistas que aprendi na China, no Templo dos 5 Imortais, localizado no Pico do Cavalo Branco das montanhas de Wudang (武当白马山五仙庙, Wǔdāng báimǎ shān wǔ xiān miào). Aí vivi e pratiquei continuamente, as práticas daoistas do estilo Puro Yang (纯阳, chún yáng), aprendendo também os seus hábitos e rotinas do dia-a-dia.

As habilidades do estilo Puro Yang foram fundadas por Lu Dong Bing, reconhecido como um dos Oito Imortais (uma lenda bem reconhecida na China) no século VII, durante a Dinastia Tang. O seu ensinamento foi passado e refinado, ao longo de vários séculos, por sucessivas gerações de mestres e discípulos. Esta cadeia de saber quase foi quebrada, durante a revolução cultural chinesa, um período conturbado em que templos foram destruídos e monges perseguidos. O saber preservou-se pela 22ª geração através do mestre Liu Li Hang, que encontrou em Du Song Feng (Li Shifu) um discípulo capaz, passando a este todos os saberes da linhagem, nessa 23ª geração. Compreendendo as mudanças dos nossos tempos, Li Shifu abriu as portas do templo em 2008, disposto a ensinar discípulos que detenham a capacidade e a motivação de assumir o compromisso de aprender, saber e praticar com rectidão. Foi assim que em 2009 tornei-me discípulo deste, recebendo o nome Cheng Fa (诚法, Chéng Fǎ). Ingressando na 24ª geração de discípulos do estilo Puro Yang.

Ancestralidade do estilo Puro yang

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