Wéi Wú Wéi (为无为)

Literalmente traduzido como “Fazer pelo não-fazer” ou “Agir pelo não-agir”, é um dos princípios fundamentais no Daoimo e no Budismo Zen. Considera que os ignorantes precipitam-se e os tolos querem fazer tudo, quando poderiam ao invés beneficiar e beneficiarem-se, sendo mais sossegados.

Wei wuwei é um aspeto central da filosofia Daoista. Vem associado à natureza dócil e fluída da água que é sem forma. O bambu que é flexível, oco e resistente. Associado ao caminho pela via da natureza. Atuando como um rio que flui ou um lago que permanece. Um planeta que rodopia e viaja pelo espaço, orbitando sem esforço e assim persistindo por um imenso tempo.

O ideograma wu (无) pode ser traduzido como “sem”, “não”, “nada”, “vazio”, “desprovido”.
O ideograma wei (为) será “fazer”, “formar”, “esforço”, “agir”, “servir”, “governar”, “controlar”.
Wuwei transporta a ideia de inação, do não agir, do vazio da forma, do não forçar, do não controlar.

controlar ou dominar é contraproducente, a ação ou inação alinhada vem de um (re)agir ou deixar ir, que é espontâneo, natural e conciliado a cada momento

Wei wuwei é uma arte que requer uma extrema habilidade, pois representa a quinta-essência de uma realização. Uma realização exímia que deverá brotar de forma tão natural e espontânea como respirar. Não é possível perseguir diretamente o não-fazer, este deve ocorrer naturalmente em resultado do cultivar de uma habilidade, que é naturalmente instruída pelo Dao, ao longo do caminho. A ideia presente é a de realizar uma ação sem lutar, o esforço é mínimo ou inexistente. Esta ideia de realizar sem controlar faz parte de várias artes marciais tais como o Taiji. Está presente nos artistas extraordinários, num surfista veterano e em todos aqueles instantes em que “desistimos” de toda a realização, para a deixar manifestar-se movida por um fluxo tão natural e sem esforço, como deverá ser o respirar. Controlar ou dominar é contraproducente, a ação ou inação alinhada vem de um (re)agir ou deixar ir, que é espontâneo, natural e conciliado a cada momento.

as ondas impermanentes e os fenómenos da incerteza, são para navegar não para controlar. No Wei wuwei, o verbo em (in)ação é de relação, não de controlo

Tanto a ação como a inação podem gerar um efeito benéfico ou prejudicial. Ciente disto o sábio atua observando atentamente, saboreando com cautela e atuando com a máxima eficácia, pela mínima ação e esforço. Tem bem presente, que o instante e o aparente, são breves ondas num vasto e profundo horizonte que deverá ser sempre observado, respeitado e bem navegado. Concilia-se sabendo quando e como agir, porém a sua grande arte e destreza está na capacidade de não agir em vão ou forçando. Em caso de inquietação, procura a quietude e no momento certo atua de forma simples, com o suficiente e o necessário. A este movimento dá-se o nome de natural, pois alinha-se ao movimento da natureza que é simples, necessário e suficiente. As ondas impermanentes e os fenómenos da incerteza, são para navegar não para controlar. No Wei wuwei, o verbo em (in)ação é de relação, não de controlo.

Quantas vezes por agir complica-se ainda mais ?
Não-fazer pode ser tão ou mais eficaz que o fazer.

Quantas vezes o ímpeto gera apenas confusão e dívidas ?
Saber atuar é uma arte e transformar o impulso pode gerar ganhos e clareza.

Quantas vezes por ocupar mais o tempo e o espaço com tanta tralha inútil, aumentamos apenas a ansiedade, os apegos e a depressão ?
Certos acrescentos apenas subtraem e saber retirar desbastando o que não é essencial pode dar muito espaço e força ao florir.

Quantas vezes querendo ajudar realizámos algo destrutivo para nós e/ou para outros ?
Saber não atrapalhar é uma arte que auxilia.

como a água, perante os confrontos avançamos ou esperamos, com adaptabilidade e uma habilidade resoluta, no sentido de resolver ou dissolver todo e qualquer conflito, externo ou interno

Laozi faz abudantes referências ao Wei wuwei no “Livro do Caminho e da Virtude” (Dao De Jing).

O mesmo conceito é abundante em parábolas e contos do budismo Zen japonês, sendo represetado pelo o símbolo enso.

Permanecer em quietude, sendo hábil no não-fazer. A primavera chega e a erva cresce.”
~provérbio zen que capta brilhantemente a ideia de saber não-atuar

No épico filme da Guerra das Estrelas, o discípulo Luke Skywalker diz ao Mestre Yoda que “irá tentar fazer” ao que Yoda responde com determinação “Não ! Tentar não ! Fazer ou não-fazer. Não há tentar.”

Por vezes, em vez de fazer porcaria, talvez o ficar sossegadit@ poderá ser mais produtivo e até melhor. Devemos estar continuamente atentos se não estamos a forçar algo, em grandes esforços ou atritos constantes. Tal como a água, perante os confrontos e obstáculos avançamos ou esperamos, com adaptabilidade e uma habilidade resoluta, no sentido de resolver ou dissolver todo e qualquer conflito, externo ou interno.

Fontes

Fotografia por Vasco Daniel © 2011. Tirada em Belgais, na sequência do projeto 100 Sunrises.

2017-11-29T23:37:32+00:00

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