Wéi Wúwéi (为无为)

Literalmente traduzido como “Fazer pelo não-fazer” ou “Agir pelo não-agir”, é um dos princípios fundamentais no Daoimo e no Budismo Zen. O wei wuwei apela ao alinhamento natural que realiza de forma mais simples com a máxima eficácia. Concentra-se em bem realizar com o menor esforço possível.

Fotografia por Vasco Daniel © 2011. Tirada ao nascer do sol em Belgais (Portugal), na sequência do projeto 100 Sunrises.

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Wei wuwei é um aspeto central da filosofia Daoista. Vem associado à natureza dócil e fluída da água que é sem forma. O bambu que é flexível, oco e resistente. Associado ao caminho pela via da natureza. Atuando como um rio que flui ou um lago que permanece. Um planeta que rodopia e viaja pelo espaço, orbitando sem esforço e assim persistindo por um imenso tempo.

O ideograma wu (无) pode ser traduzido como “sem / não / nada / vazio / desprovido”. O ideograma wei (为) como “fazer / formar / esforço / agir / controlar”. Wuwei transporta a ideia de inação, do não-agir, do vazio da forma e do não forçar. E wei wuwei a capacidade realizar não controlando, de atuar não interferindo ou pelo menor esforço possível a uma máxima eficácia.

Considera que os ignorantes precipitam-se e os tolos querem fazer tudo, quando poderiam ao invés beneficiar e beneficiarem-se, sendo mais sossegados. O comum faz questões como “E se fizer isto ? e se fizer aquilo ? Como realizar mais?” mergulhando em esforços e ações com desfechos muitas vezes indesejados, devido à ânsia de querer controlar. Mas o caminho natural apela a que façamos questões como “E se não fizer isto ? e se não fizer aquilo ? Como realizar melhor?” apela-nos a que nos sintonizemos para beneficiar dos ciclos e do curso natural das coisas.

Wei wuwei é uma arte que requer uma extrema habilidade, pois representa a quinta-essência de uma realização. Uma realização exímia que deverá brotar de forma tão natural e espontânea como respirar. Não é possível perseguir diretamente o não-fazer, este deve ocorrer naturalmente em resultado do cultivar de uma habilidade, que é naturalmente instruída pelo Dao, ao longo do caminho. A ideia presente é a de realizar uma ação sem lutar, o esforço é mínimo ou inexistente. Esta ideia de realizar sem controlar faz parte de várias artes marciais tais como o Taiji. Está presente nos artistas extraordinários, num surfista veterano e em todos aqueles instantes em que “desistimos” de toda a realização, para a deixar manifestar-se movida por um fluxo tão natural e sem esforço, como deverá ser o respirar. Controlar ou dominar é contraproducente, a ação ou inação alinhada vem de um (re)agir ou deixar ir, que é espontâneo, natural e conciliado a cada momento.

As ondas impermanentes e os fenómenos da incerteza, são para navegar não para controlar. O wei wuwei, apela a um alinhamento para relacionar, e não tanto a um controlo para dominar.

Tanto a ação como a inação podem gerar um efeito benéfico ou prejudicial. Ciente disto o sábio atua observando atentamente, saboreando com cautela e atuando com a máxima eficácia, pela mínima ação e esforço. Tem bem presente, que o instante e o aparente, são breves ondas num vasto e profundo horizonte que deverá ser sempre observado, respeitado e bem navegado. Concilia-se sabendo quando e como agir, porém a sua grande arte e destreza está na capacidade de não agir em vão ou forçando. Em caso de inquietação, procura a quietude e no momento certo atua de forma simples, com o suficiente e o necessário. A este movimento dá-se o nome de natural, pois alinha-se ao movimento da natureza que é simples, necessário e suficiente. As ondas impermanentes e os fenómenos da incerteza, são para navegar não para controlar. O wei wuwei, apela a um alinhamento para relacionar, e não tanto a um controlo para dominar..

Quantas vezes por agir complica-se ainda mais ? Não-agir pode revelar-se tão ou mais eficaz que o agir.

Quantas vezes o ímpeto gera apenas confusão e dívidas ? Saber atuar é uma arte e transformar o impulso pode gerar ganhos e clareza.

Quantas vezes por ocupar mais o tempo e espaço. com inutilidades, aumenta apenas a ansiedade, os apegos e a depressão ? Certos acrescentos apenas subtraem e destralhar o que não é essencial. dá força ao florir.

Quantas vezes querendo ajudar realizámos algo destrutivo para nós e/ou para outros ? Saber não atrapalhar é uma arte que auxilia.

Laozi faz abudantes referências no popular Dao De Jing (“Livro do Caminho e da Virtude”). O mesmo conceito é abundante em contos do budismo Zen e do sufismo.

Permanecer em quietude, sendo hábil no não-fazer. A primavera chega e a erva cresce.”
~provérbio zen

No filme Guerra das Estrelas : O Império Contra-ataca, o Mestre Yoda a importância de realizar uma ação ou não-ação, de forma determinante.

Por várias vezes, na ânsia de realizar e por disparar em várias direções acabamos por cometer vários estragos. Sendo que o melhor curso de ação por vezes passa por sossegar e aguardar as condições ideiais ou mínimas. Devemos continuamente estar atentos a se não estaremos a forçar algo. Se não estaremos a atuar em demasiado esforço ou com atritos constantes. Tal como a água perante os confrontos, avançamos ou esperamos, com adaptabilidade e uma habilidade resoluta, no sentido de resolver ou dissolver todo e qualquer conflito, externo ou interno.

Do cimo de uma montanha a água brota de uma fonte. O mar encontra-se a 50 km a direito o que implicaria forçar caminho, abrindo e destruindo o que se atravessa-se pelo meio. Ao invés, a água serpenteia por milhares de quilómetros, naturalmente e sem esforço, em direção ao oceano. Se vive lutando e em esforço constante para sobreviver, é possível que esteja desalinhado. Se for o caso, considere outras formas e outros meios.

A não ser que as pessoas tornem-se pessoas naturais, não pode haver nem agricultura natural nem comida natural.”
~Masanobu Fukuoka

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