Com a verdade me enganas” é na minha percepção um ditado que aponta a relatividade da “verdade”.
A cabeça lida com a veracidade.
O coração lida com o que é certo.
A razão vem da cabeça que é julga-mental.
A bondade do coração que é senti-mental.
A veracidade é objectiva.
A verdade é subjectiva.
O nosso sentir e perspectivas são sempre parciais.
Assim qualquer análise é uma amostra e qualquer julgamento um palpite.
Crer o contrário é ignorância ou arrogância
Quando falamos apenas com a cabeça não estamos a dizer a verdade, dizemos aquilo que achamos verídico e que julgamos. A este modo de actuar podemos chamar besta, idiota, frio, maquinal, racional, procedimental, comportamental restrito. Podemos encontrá-lo num condutor que buzina e descarrega em nós a sua frustração e a sua veracidade. Podemos encontrá-lo num tipo das obras que assobia a uma miúda de 11 anos com um impropério que a faz chorar até casa. Em alguém que despeja inconsequente-mente doa a quem doer.
Para nossa frustração a frase da imagem não é certa nem errada. É “uma” verdade. Que mediante diferentes situações e manifestações pode ser certa ou errada. É esta capacidade de agir conciliando coração e cabeça que nos dá “um” bom-senso para lidar com diferentes situações.
O bom-senso é o equilíbrio que ocorre a cada instante entre bondade (coração) e senso (cabeça) e por vezes é oposto ao senso comum ou até mesmo ao senso particular. Actuar sem coração, sem bondade, é actuar como uma máquina, sem as virtudes muitas vezes encaixadas na palavra “humanidade” ainda que sejam qualidades para lá de humanas. É actuar como uma máquina que funciona da forma lógica, compartimentada ao que foi programada.
As máquinas dizem sempre “uma verdade” não importa a quem doer e de um ponto de vista com coração, as máquinas são estúpidas, bestas e idiotas… o que faria sentido, não fossem estas objectos. Por isso se diz que “As máquinas tem sempre razão” que não significa que estejam sempre certas, pelo contrário, são limitadas porque tem sempre e só razão.
Se tratarmos seres humanos ou as virtudes chamadas de “humanidade” como objectos e analisarmos o mundo de forma meramente objectiva, iremos reduzi-lo perversamente, a uma matriz e “The matrix is not real” embora pareça de todas as formas.

2017-11-29T23:38:09+00:00

3 Comentários

  1. Vasco Daniel 2 Agosto, 2013 em 20:02 - Responder

    Bem visto Micaela.
    Acredito que perguntas e respostas são apenas uma perspectiva. Quanto a quantidade acho que são de igual modo. Cada ponto de interrogação termina num ponto e dentro desse ponto existe uma interrogação, assim sucessivamente até ao infinito. A nossa história é a do cão que corre atrás da cauda, ou da pescada de rabo na boca. Não é a toa que o conhecimento é simbolizado por uma serpente a morder a própria cauda 🙂

  2. Micaela Aparício 31 Julho, 2013 em 23:04 - Responder

    Será que há uma resposta, sequer ? Cada vez mais me parece que há muito menos respostas que interrogações, o que se calhar até funciona como uma pista no sentido da paz. Se formos humildes o suficiente para aceitar que não há respostas a granel, ganhamos em serenidade. Não sei, falo por mim, cada vez tenho menos certezas sobre mais coisas e no entanto isso tornou-se pacifico. Não é desistir de pensar e/ou sentir ou alinhar na preguiça, é só estar ciente que não é garantido que o esforço compense através de uma verdade absoluta, e mesmo assim continuar, cada dia, sempre atenta a um sentido.
    A verdade é muito complicada, ainda não cheguei lá. Enquanto não souber como se é verdadeiro, vou sendo autêntica. O caminho é mais longo mas também mais fácil, sabe-se sempre onde pôr os pés (a intuição, a empatia, a sintonia cá dentro não enganam porque não dependem de mim ; ser autêntico é simples, basta não ser distraído) e com sorte, quem sabe, ainda se encontre qualquer coisinha verdadeira pelo caminho. Além disso, a sorte de principiante nunca é de desdenhar. 🙂

  3. Vasco Daniel 31 Julho, 2013 em 9:23 - Responder

    Pessoas quando expressam a sua verdade por mais que lhes custe e lhes doa a si próprios, tendencialmente estão a ser verdadeiros, corajosos, honestos, sensíveis, autênticos… ou masoquistas, inconsequentes e descuidados.
    Pessoas quando expressam a sua verdade por mais que aos outros lhes custe e doa, tendencialmente estão a ser umas bestas, ignorantes, idiotas, vingativos, inconsequentes… ou bons amigos.
    A resposta não é linear, nem o mundo.

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