Dos equívocos mais perigosos que encontro nos meus alunos e pacientes é a noção de “hermético” e de “invulnerabilidade”. Visualizando-se como coisas separadas do mundo desenvolvem comummente duas ideias opostas e muito perigosas. Na primeira, a crença comum é a de serem impermeáveis às influências do mundo, como um tupperware. Na segunda, a crença comum é a de poderem expor-se de forma descuidada a todas as forças existentes e que magicamente o mundo (lá fora) irá assegurar a sua integridade ou melhoria, pois são o vazio do tupperware. Se um vê-se como um inteiro aparte, o outro vê-se como um todo aparte. Esta equívoco do aparte têm a mesma raiz, criando na decorrência a perigosa noção de proteção (hermético) ou de isenção (invulnerabilidade).

Nós não somos tupperwares. Somos mais parecidos com uma esponja. A impermeabilidade que temos é como a de um casaco que aguenta uma pouca chuva miudinha.

É certo que temos a capacidade da alquimia, transformando e assimilando alguns venenos. Porém tomá-los imprudentemente, é sobrecarregar desnecessariamente e não entender um princípio fundamental de integridade : um Um harmoniza-se ao Uno. Esta lição deve ser entendida como referindo-se a várias dimensões e não meramente a do corpo físico.

Todos os dias se apresentam a nós tentações. Ser tentado é receber uma influência. Ora, o que é uma influência ? Uma corrente que procura penetrar em nós ; portanto, é uma espécie de alimento. Existem boas influências, mas também há más influências. E nem sempre é possível opormo-nos à irrupção em nós de correntes negativas. Mas, depois de elas se terem introduzido, devemos esforçar-nos por transformá-las. Se sucumbirmos, se nos deixarmos arrastar por um gesto de fraqueza, o nosso tribunal interior anota que não soubemos assimilar essas substâncias e elas vão reaparecer, de uma maneira ou de outra, sob a forma de perturbações psíquicas ou mesmo físicas.
Em relação aos alimentos envenenados que não deixamos entrar em nós, não corremos o risco de eles quererem sair ; por isso, é preciso estar vigilante para que eles não penetrem. Mas, como isso nem sempre é possível, se acontece abrirmos-lhes a porta, devemos esforçar-nos para os transformar e os tornar digeríveis, assimiláveis. “
~Omraam Mikhaël Aïvanhov

2017-11-29T23:37:39+00:00

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