A norma propaga-se na atualidade de forma global em apenas dois a três anos. A crença popular sempre seguiu as ondas deflagrando-se das normas emergentes. Os novos perigos poluem mentes e corações a uma velocidade nuclear e é tempo de sintonizar.

Fotografia por Vasco Daniel © 2018, tirada sobre a água de uma ribeira.

Se numa mensagem existir um ponto de interrogação é expectável dar uma resposta. Tudo o resto pode simplesmente ler ou escutar, como melhor lhe aprouver. Devolver acrescendo é inteiramente opcional e cada vez mais vital se torna, discernir contributo de ruído. Comentários são especialmente bons quando os aprofundamos em nós, partilhando-os quando e se pedido.

Em dias úteis, trinta a noventa minutos a ler e responder a emails, são de grande generosidade. Quatro anos ou 46 meses descontados das nossas vidas, mas quem é que está a contar? Começamos pelo mais antigo e seguindo este método poderemos esvaziar a caixa de entrada a cada dez dias. Todos os emails que tinham um ponto de interrogação tiveram uma resposta ao longo de duas décadas.

Duas a três vezes por semana esvazia-se o correio de casa. Tratando o que nos é enviado, entre caminhadas, sonos e refeições. Quando aparece chá bebemo-lo e maracujás é comê-los antes que o Outono passe.

O novo telefone é sujeito ao ritual dos anteriores começando por ativar o “Não incomodar”, retirar o som, desligar o vibrar e desativar todas as notificações. Segue-se a instalação das aplicações comuns. Com especial destaque para as favoritas que do meu gosto centram-se no leitor de música, a câmara fotográfica, o calendário e as didáticas, onde o mandarim é praticado, por exemplo. De todas as ferramentas possíveis, o telefonar, o jogar ou as mensagens instantâneas têm assumido um papel tão secundário e distante como a calculadora ou a lanterna. Pode-se dizer que são usadas, porém dizer que lhes é dado uso parece-me sempre um exagero. E é precisamente neste desvio que a separação ocorre para dimensões diferentes. Enquanto na norma habitam os FOMO (Fear Of Missing Out) na anorma habitam os FOWL (Fear Of Wasting Life). Sempre preferi as corujas, gambuzinos, raposas e dragões. Vá-se lá desimaginar que “Existir por dexistir” contínuo em preferir os bichos ao ecrã azul.

A este novo movimento global podemos empregar um termo antigo “tablóide” ou iTablóide se quisermos aparentar inovação.

Com o advento crescente das comunicações à distância, a promessa de maior interligação revela-se um sucesso em palco e um fiasco nos bastidores. Como o génio da lâmpada de má índole, cumprem-se os desejos com um viés pernicioso. Os indivíduos tornam-se cada vez mais distantes e isolados, apesar das mil ligações virtuais a que reagem. As suas preces são feitas do deitar ao acordar, sob o fascínio de um ecrã azul. Mediante tamanha dedicação desenvolve-se o défice de atenção, a agitação, a ansiedade, a toma de ansiolíticos e das drogas recreativas para escapar por momentos, a mais uma gratificação instantânea. A este novo movimento global podemos empregar o termo antigo de “Tablóide” ou iTablóide se quisermos aparentar inovação.

Basta é suficiente. O mais reduz-se para melhor e dessa inversa quantidade surge uma qualidade única, exclusiva. É tempo de sintonizar (…)

A demanda por sensações rápidas e convenientes, na caça da atenção constante, gera um sensacionalismo de meter ânsia. Os níveis de dopamina disparam com promessas de fugazes momentos de prazer a cada esquina, prateleira, notificação, buzz e scroll. A estável felicidade que vem na branda calmia da serotonina afasta-se. Na vontade de mais pão e amor, vinga a intolerância ao glutén e ao temor.

Basta é suficiente. O mais reduz-se para melhor e dessa inversa quantidade surge uma qualidade única, exclusiva. É tempo de sintonizar, entendendo que não é sinónimo de melhoria a poluição do rio e da mente, a extinção de uma espécie e de um coração, nem a devastação da floresta e da saúde. Clarifique-se que progresso e desenvolvimento são coisas ótimas quando realizados de forma ótima. Pela ação medíocre a degeneração é o desfecho comum, pois para progredir não basta que o tempo passe. Não é o quê mas o como. Não o que provicendia mas a que preço. E quando se sacrifica os meios pelos fins, tudo o que resta é uma cinza. É tempo de sintonizar, naquela falha a que chamamos meio. A brecha de onde brota a vida num espetro de cor. Observe e aprecie, aja bem e bem haja.

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