Pela Calada

Costuma-se contar a história do sapo que sendo metido dentro de uma panela de água fria deixa-se ficar, enquanto a mesma é posta a aquecer ao lume. Dando pouca importância à mudança de temperatura, este vai relaxando cada vez mais, à medida que a água vai ficando mais quente. Mais tarde, mesmo que queira sair e saltar fora, já não tem capacidade de reação. Os processos que ocorrem lentamente e pela calada, tendem a ter os alertas já demasiado tarde.

Quando no início do século passado se deram as guerras mundiais, deu-se também início à criação de armas de destruição maciça, algumas por meio de químicos que conseguiam envenenar letalmente um vasto número de pessoas. Neste período, as grandes produtoras de armas, como a Monsanto, a Bayer e outras farmacêuticas, desenvolveram poderosos venenos. Com o fim das guerras, estas empresas depararam-se com um novo desafio :

Agora que acabou a guerra, como é que vamos vender os milhões de barris de veneno que temos em armazém ? Como é que vamos escoar os nossos produtos?”

Novos propósitos e inimigos foram apontados, dando-se assim início à longa e lenta guerra fria que decorre nos bastidores da nossa cultura. Por meio desta, vamos lentamente ficando cada vez mais estéreis (inférteis) e seguindo métodos que promovem a esterilização (morte), vamos perdendo imunidade e ficando cada vez mais dependentes de todo o tipo de fármacos. O nosso corpo vai perdendo as capacidades naturais de cura e de produção natural de várias substâncias, que agora nos são administradas (vendidas). Os agentes patogénicos, por seu turno, vão-se tornando cada vez mais fortes, fortalecendo-se com os “venenos” com que os carregamos.

Hoje em dia, temos super-bactérias e super-vírus cada vez mais resistentes e, paradoxalmente, os hospitais, pela sua contínua esterilização, tornam-se os antros prediletos das piores doenças. Na eventualidade de termos de ir a um hospital ou trabalhar num, é essencial estar com o sistema imunitário bem operacional, para não entrarmos com uma gripe e sairmos com um indesejável “bónus”. É uma pena que assim seja, pois é lá que se encontram alguns dos tratamentos e dos profissionais que podem cuidar de nós. Estas situações dão origem a paradoxos como o facto de, estatisticamente, a terceira maior causa de morte serem tratamentos médicos, sendo que um terço destas mortes é causado por infeções contraídas nestes lugares.

É importante reforçar que precisaremos sempre de locais de cura como os hospitais e de profissionais dedicados à prestação de cuidados. Porém, os nossos sistemas de saúde atuais devem ser melhorados imensamente, começando pelo tratamento condigno dos próprios profissionais de saúde, que se veem muitas vezes sobrecarregados e à beira do colapso, devido ao esforço heroico que realizam diariamente dentro deste sistema de “saúde” enviesado.

As armas químicas (i.e. os venenos) desenvolvidas durante a guerra com o propósito específico de matar são muitas vezes administradas tal e qual o eram na altura, com as fórmulas inalteradas. Faz uma pausa para interiorizar. Isso mesmo, leste bem, a sua composição continua igual. Em muitos casos, reduziram-se apenas as doses para que não sejam letais no imediato. Administram-se doses de veneno que a maiorias dos corpos humanos deverá, em princípio, conseguir suportar sem perecer, i.e. doses máximas “relativamente” seguras.

morangos-agricultura-alqimiaAtravés deste processo, deu-se início à era dos pesticidas, as armas químicas que, mesmo diluídas, continuam a ser letais, não só para quem as administra, através do contacto direto, como também por via indireta para quem entrar no terreno nos dias seguintes. Demos-lhes o nome ludibrioso de “cura” e é comum escutarmos este termo por entre as terras portuguesas. Recordo-me sempre da resposta da senhora da loja aos meus pais : “Eu é que não uso estas porcarias no meu cultivo, mas tenho aqui porque os clientes pedem porque querem usar nos seus terrenos, estes pesticidas”. E lá ficaram os meus pais e a senhora à conversa sobre como conseguem cultivar tudo sem uso de pesticidas e sobre esta comum e estranha ideia que se propagou de que sem químicos pouco ou nada daria a terra.

Estes pesticidas (ou venenos) quando encharcam a planta, matam o inseto ou pássaro que com ela entre em contacto, ao passo que a planta tende a resistir ao envenenamento. Quando não morre com este ataque de choque a que chamam “tratamento” ou “cura” (e que, na maioria das vezes, é desnecessário) fica com mais ou menos mazelas. E, graças à incrível resiliência inerente à vida, tende a conseguir recuperar com mais ou menos vestígios do ataque a que foi sujeita. O princípio publicitado e incutido por estas empresas de armas é o de que por ser uma dose menor (em escala) não é suficiente para matar um ser humano, advogando que assim é “relativamente pesticida-terra-planetasegura” a sua ingestão. O mesmo princípio foi seguido com os conservantes (químicos). São venenos que matam a vida que com eles entra em contacto, mas, como estão presentes em doses pequenas, diz-se serem “relativamente” seguros. E, de facto, não é uma lógica totalmente descabida, já que é realmente possível ingerir uma dose mínima dos mesmos, uma única ou raras vezes, sem grande prejuízo para a saúde.

Passo a explicar em termos leigos o princípio (ou raciocínio) que é utilizando abundantemente numa variedade de situações. É relativamente seguro ingerir uma gota de lixívia. Dificilmente alguém morrerá pela ingestão de uma gota de lixívia ou contrairá uma doença “grave”. Isto, se ingerir apenas uma gota e uma única vez. O mesmo raciocínio é utilizado quando realizamos uma radiografia. Apesar de sermos bombardeados com radiação nuclear, diz-se que esta pequena quantidade é “relativamente segura”. A dose teria de ser de uma grande quantidade para ser “absolutamente seguro” de que seria letal ou administrada em suaves prestações até que a sua acumulação fosse significativa o suficiente para causar o efeito de Adeus que me vou embora ♪, como cantava o nosso António Variações.

Com o tempo, deixou de empregar-se a palavra “relativamente” e diz-se apenas que é “seguro”. Criando-se a falsa noção, que nos tranquiliza a todos, enquanto nos esteriliza e destrói.

pesticida-veneno-planeta-terraPor seu turno, os lucros das empresas de armas químicas passam de milhões para triliões, vendendo os mesmos venenos a um maior preço por grama. Se no passado um quilo de veneno era vendido por um euro, hoje em dia o mesmo quilo dividido num milhão de partes é vendido a um euro por miligrama, sendo distribuído por pesticidas, conservantes e fármacos. Pelas minhas contas, é possível arrecadar um milhão de euros desta forma. Nada mau, tendo em conta que o produto é o mesmo e consegui aumentar o seu valor um milhão de vezes. Face a esta constatação simples, surgem-me meia dúzia de questões :

Poderia uma empresa que gerasse mil milhões de euros em receitas com a venda de armas de guerra estar disposta a matar, subornar e utilizar outros meios para se manter ?

Os governos, tribunais e outras entidades seriam capazes de proteger-nos ou seriam facilmente permeáveis e persuadidos (corrompidos) perante tal poder dos fabricantes ?

Imaginemos que, em paralelo, estes fabricantes de armas mudavam a aparência e o nome das embalagens transformando-as em produtos aparentemente mais “legítimos”, aumentando assim também as receitas um milhão de vezes.

Será que com esta nova legitimidade adquirida (ou coagida) passariam a ter mais escrúpulos ?

O que mais determina os escrúpulos e a preservação dos princípios em empresas e indivíduos : a legitimidade ou o dinheiro ?

Os governos e outras instituições seriam capazes de proteger-nos e bem informar-nos ?

Nas respostas que me ocorrem gosto de dar o benefício da dúvida, sem apostar nisso. Pois considero importante manter uma mente aberta e um espírito humilde, ao mesmo tempo que devemos assumir escolhas (apostas) e responsabilidades (respostas hábeis). O pior inimigo e o maior perigo é sempre aquele que se “olha” e não se “vê”. No meu entendimento, a preocupação é e sempre será uma parvoíce. De todas as formas, parece-me sempre ridícula a ideia de nos ocuparmos antes do tempo com algo (pré-ocupação). Como tal, vivermos preocupados, ansiosos, deprimidos e reféns do medo sempre me pareceu “um tiro no pé” encostado à testa. Sou ainda menos apologista da despreocupação, que representa a avestruz que enfia a cabeça na terra para fazer o perigo “desaparecer”. Por força do hábito, a maioria de nós esgota as opções ao eliminar dois opostos, incapazes de ver outras cores para além do preto ou branco. Por isso, sugiro aqui mais uma opção (entre várias possíveis): a prudência.

A prudência deriva de providenciar o necessário, de nutrir e cuidar à medida, sendo continuamente vigilante, atento e bem informado.

Relaxa sem perder a atenção, mantém a Presença e Perceção (conhecido popularmente pela dupla Mindfulness & Awareness). Pois, como clama o ditado, “o mal está sempre à espreita”. Remato, como em todas as sagas épicas, relembrando as palavras do herói :

Not On My Watch!”
(No meu turno não!)

gandalf_lotr_you-shall-not-pass

Fontes : Bayer : World War I and Its Consequences (1914 – 1925)
Mercola : Doctors Are The Third Leading Cause of Death in the US, Killing 225,000 People Every Year
Wikipedia : Chemical weapons in World War I
WTV-Zone : Chemical Warfare or Pesticides
New York Times : Nerve Gases And Pesticides : Links Are Close
NCBI (National Center for Biotechnology Information): Chemical Warfare and Medical Response During World War I
Food Babe : Chemical Warfare with “Natural Flavor”
First World War : Weapons of War — Poison Gas
Friends of the MST : If Bayer itself is not good : it’s the chemical warfare agents, pesticides and heroin
Corporate Watch : Bayer AG Corporate Crimes
C&EN : When Chemicals Became Weapons of War
Fluoride Alert : Fluorinated and Fluoride Pesticides
Global Security : Weapons of Mass Destrucion (WMD) — German Chemical Weapons
Dailymail Uk : Deadly diet pills containing DNP — Capsules are made from chemicals used in war weapons and pesticides, scientist reveals
Seatle Organic Restaurants : Dark History of Monsanto
Political Blindspot : Yes, Monsanto Actually DID Buy the BLACKWATER Mercenary Group !
Activity Post : Did Monsanto Really Buy Blackwater (Xe)?

2017-01-12T16:56:15+00:00

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