Nos meus curtos e bonitos 35 anos de vida, todas as grandes realizações que vivo, surgem no sentido de “menos”. Este menos coloco entre aspas para destacar-lhe a qualidade associada, ao que é simples e essencial.
A bem da nossa realização, torna-se necessário o entendimento claro (sem equívocos) do que significa : menos, simplicidadeessencial.

O Menos

O menos representa a libertação de tudo aquilo que nos : pesa, diminui e magoa cá bem no âmago. Representa o movimento contrário ao de sacrificar o que é mesmo importante, em prol de “mais”. O mais não é melhor.
Por vezes sacrificamos a nossa saúde, noutras o nosso tempo, a nossa real vontade. Demasiadas vezes é o nosso respeito próprio que é sacrificado, ao reagirmos submissivamente a uma quebra na nossa integridade : “Aquele paga-me por isso submeto-me e cumpro-lhe os desejos”.
Abdicamos da nossa tranquilidade, liberdade e bem-estar pela promessa de “mais” qualquer coisa. Pouco importa qual é a ilusão ou banana que nos é prometida e anunciada repetidamente.

Se o prostrar é o único caminho que vês, pelo menos fá-lo com dignidade, sê uma Geisha.

Compreende a diferença entre “ser mais” e “ter mais”.
À medida que vamos sendo mais há uma tendência natural para ir tendo menos.
O motivo é simples :

Quanto mais espetaculares vamos sendo, menos precisamos ir tendo.

O Simples

O simples é algo que é realizado num passo ou dois.
É realizado com grande eficácia, de forma elegante e com uma grande qualidade. Percebida muitas vezes como sendo natural, seguindo um fluxo de menor esforço, simples.
Por exemplo, se estou cansado a solução simples é descansar. Uma solução complexa seria tomar estimulantes.
Para cada situação, visualizo sempre inúmeros caminhos possíveis. Constato que o caminho fácil e o caminho simples apresentam-se separados na maioria das vezes. Senão sempre, a minha escolha tende a recair no simples, mesmo quando é contra-intuitivo, aparentemente louco ou mais trabalhoso.
A médio e longo prazo, o caminho “simples” tem-se revelado sempre como aquele que melhorou significativamente a minha vida. Só poderemos verdadeiramente compreender a simplicidade e o fluxo natural, quando nos libertamos das gratificações imediatas e do conforto instantâneo.

Ser presente não é ser instantâneo.

O Essencial

O essencial refere-se a tudo aquilo da qual a nossa vida é dependente e sobre a qual temos pouco ou nenhum poder de modificar. Podemos não gostar, nem tão pouco concordar, porém se sobrevivência as hipóteses tendem a estreitar-se a aceitar (concordando ou não), resignar (concordar sem aceitar) ou rebelar. Tudo o resto é conveniente ou um vício (dependências).
Por exemplo, respirar é essencial. Dormir, desenvolver e sonhar também. Essencialmente, tudo aquilo que partilhamos com os outros animais como nós, sugere o que é essencial. Tende a ser quase universal, a todas as pessoas com quem falamos, independentemente dos seus hábitos, cultura ou crenças pessoais. Se algo é essencial para um e não para outros, possivelmente é é algo não essencial, no sentido de que a realização não depende disso.
Um cigarro, um café, uma televisão, um telemóvel, um guarda-chuva, uma conta no facebook.… não são essenciais. Serão vícios, pequenos prazeres, conveniências, hábitos que dão-nos conforto e a segurança do que é familiar, conhecido.

Há uma tendência de recebermos o essencial na altura em que seja necessário.

Há uma tendência de recebermos o essencial na altura em que seja necessário. Podemos dar-lhe o nome de providência divina, assistência do universo ou fluxo natural. Esta magia da serendipidade ocorre quando sintonizamo-nos corretamente. O nosso alinhamento é em consonância com o Todo. O fluxo presente, passado e futuro.

Caímos em nós, sendo tudo o que podemos ser.

O Óbvio

É óbvio que podemos ter vidas com confortos, vícios, conveniências e afins. Porém, é importante entender verdadeiramente a fronteira, caso contrário entraremos em estados de ansiedade numa base regular. Sentindo a nossa sobrevivência ameaçada, por coisas como : a bateria do telemóvel, um perfil social online, uma televisão, um carro, um seguro, uma quantia X de dinheiro, etc.

A nossa liberdade e o nosso contentamento é mais fruto daquilo que estamos dispostos a abdicar do que propriamente daquilo que possamos apropriarmo-nos. Passa por libertar mais e acumular menos.

Somos felizes com o suficiente, com o necessário ficamos contentes. Seguimos a “Nossa Vontade” de realizar os “Nossos Sonhos”. Não seguimos os desejos que nos iludem a querer mais que o necessário. Comer demais para quê ?

Percebemos a enorme diferença entre seguir ambições ou seguir a vontade de realizar sonhos. Demasiadas vezes, é a ambição que impede-nos de seguir a nossa vontade de realizar os nossos mais profundos sonhos. Vamos atrás de ilusões que em pouco nos fazem genuinamente contentes. Vamos atrás de miragens, as ambições.

De onde vem a real vontade ?

A vontade é tudo aquilo que realizarias mesmo não tenho ninguém para ver, aplaudir ou incentivar. Tenta perceber a diferença entre :
“Tenho vontade de ir à casa de banho” e “Tenho o desejo de ter uma casa maior”;
“Tenho vontade de ser feliz” e “Tenho o desejo de ser famoso”.
“Tenho vontade de permanecer contigo” e “Tenho desejo de ter sexo contigo.”

A vontade é o motivo que vem de dentro e o desejo é o motivo que vem de fora.
A vontade fala em instantes e desaparece. O desejo toca como um alarme ensurdecedor.
A vontade fala no silêncio e o desejo fala com a confusão.
A vontade fica e o desejo vem e vai.
A vontade acalma-te e o desejo desassossega-te.
A vontade alegra-te e o desejo atormenta-te.
A vontade dá-te realização e o desejo dá-te satisfação e insatisfação.
A vontade alimenta-te o ser e o desejo alimenta-te o ego.
A vontade coloca-te em ti e faz-se sentir parte integrante.
O desejo coloca-te fora de ti e faz-se sentir aparte.

Podes brincar em ambos. Onde passares mais tempo, aí modelarás a tua existência.

2017-11-29T23:37:40+00:00

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