No princípio era o Verbo.”
¯ primeiro capítulo do João.¯

Ao falar em impermanência as expressões faciais tendem a tornar-se vazias, quase assustadas. Assim permanecem até que compreendam a beleza da mesma.

A menos boa notícia é que a permanência é a morte. A boa notícia é que a impermanência é a vida. A muito boa notícia é que a verdade fundamental de todo o universo sustenta-se sobre a impermanência. O que significa que tudo o que existe é inerentemente animado, “vivente”.

A morte é relativa a uma forma permanente, em absoluto tudo o que existe é uma transformação, uma passagem de energia a outro estado. E é precisamente este paradoxo da impermanência que torna possível toda a existência enquanto vida. Custa a acreditar ? Perguntem ao Buda (acendam um incenso), Einstein, Nicola Tesla e tantos outros que reiteram este princípio fundamental desde tempos imemoriais. Peguemos no caso mais “recente”, do químico francês Antoine Lavoisier quando em 1760 formula a Lei de Conservação das Massas.

Na natureza, nada se cria e nada se perde. Tudo se transforma.”
¯Lei de Lavoisier¯

Esta é a lei continuamente validada em sistemas fechados. No sistema aberto em que existimos, a transformação avança para retornar ao estado primordial de energia.

Aquilo que é entendido como dissipação na fronteira de um sistema fechado, é entendido como reciclagem e auto-geração num sistema aberto. Dito de outra forma, aquilo que entendemos como perda (ou dissipação) a partir de um ponto de vista limitado do pessoal é um ganho (ou auto-geração) a partir de uma visão universal e apessoal.

Toda a matéria e fenómenos visíveis provém a um nível fundamental de energia invisível em transformação. Ao aceitar isto a um nível concreto e não meramente como algo abstrato ou teórico, poderemos então dissolver todas as ilusões e ver a Matriz. Que origina e sustenta todas as peças e cenas a decorrer em palco. Ao entender profundamente este facto universal, toda a nossa mundividência é radicalmente transformada de forma inevitável. Não vivemos num mundo de coisas, todas as coisas são formas na nossa cabeça.

Quem sou Eu?” é uma pergunta formulada a partir da ilusão de um mundo de coisas. Face a esta formulação todas as respostas serão anacrónicas em pouco tempo.

Que ser é este agora que estou a ser?” é a questão formulada com o entendimento da impermanência das formas e o fluxo permanente. Face a esta formulação todas as resposta são acertas.

— Quem és tu ?
— Eu Sou.”

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2017-11-29T23:37:39+00:00

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