O primeiro estágio para despertar o saber é elevar a qualidade da ignorância. Pois há aquele que entende o que ignora e aquele que ignora o que ignora. Por toda a vida poderemos mover-nos curiosamente, pensando, sentindo e conciliando ambos. Não foi à toa que a natureza providenciou-nos um hemisfério esquerdo e um direito, uma mente e um coração, uma cabeça e um corpo, este eu e aquele outro. Alinhando-nos ao meio continuamente, balançando nos extremos. Do estático fugimos para encontrar a permanência do dinâmico. Da crença esquivamos para encontrar a certeza na impermanência. Aos bons que tremem estendemos a mão como um porto seguro. Aos bons que se cimentam, abanamos os seus alicerces. Assim ao longo das nossas histórias e enredos poderemos assumir o papel do pacificador ou agitador, com quem nos cruzamos.

Alegramos perante o encontro com o “cisne preto”. Reunindo conhecimento, bebendo da sabedoria e bem despertos na nossa contínua ignorância.

Aos raros que connosco balouçam, dançamos com estes. Alegres por encontrar este raro ser da nossa espécie, que tanto toma esta forma como aquela, ficando em nenhuma. Assumindo assim pela eternidade a forma mutável e indefinida de um gambuzino. Que tudo é, por atrever-se a nada ser.

2017-11-29T23:38:09+00:00

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