O equívoco do 100% macrobiótico

Vindo dos primórdios da macrobiótica, ainda hoje temos o mito do 100%. Uma espécie de Santo Graal que tornará todo o comilão que o siga num ser invulnerável a qualquer doença. Vamos chamar-lhe o Trapézio Isósceles da Macrobiótica, o Santo Graal conhecido pelos seus poderes curativos e alquímicos. E reza a lenda que poderá até conceder a invulnerabilidade de todo aquele que beba apenas deste.

Foi em 2007 que descobri a Macrobiótica e seguidamente os princípios alimentares deste sistema. Fiz os três anos do curso de macrobiótica e paralelamente fiz também o curso anual sobre alimentação macrobiótica. Ao longo de dez anos, devo ter contactado entre duas a duas mil pessoas, que realizavam macrobiótica. A vasta maioria dizia algo como “Sim faço um pouco macrobiótica, mas não a 100%”. Outros encontrei que preferiam não lhe chamar alimentação macrobiótica para terem liberdade de lhe dar uma certa abertura.

o equívoco geral do 100% macrobiótico vem da estranha ideia de que quem siga o Trapézio Isósceles será invulnerável a toda e qualquer doença. Se adoecer, certamente teve um deslize, saiu do Santo Trapézio e não contou a ninguém

Durante vários anos andei intrigado, pois não percebia de todo o que queria dizer 100% macrobiótico. Intrigava-me também observar aqueles que optavam por alterar o nome para algo como Alimentação Saudável, quando tudo se encaixava nos moldes das recomendações da Alimentação Macrobiótica. Depois constatei que era apenas uma forma de protegerem-se de eventuais críticas sendo acusados de heresia. Pouco-a-pouco revelou-se a origem do equívoco geral do 100% macrobiótico… A estranha ideia de que quem siga o Trapézio Isósceles será invulnerável a toda e qualquer doença. Se adoecer, será certamente porque teve um deslize, saiu do Santo Trapézio e não contou a ninguém.

Com os anos comecei a responder que já não sabia ao certo se fazia macrobiótica. Na minha visão, faria a cem por cento, porém na visão de uma maioria talvez não. Pelo sim pelo não hoje respondo algo semelhante a “Faço macrobiótica com uma matobiótica, ora mais q.b ora menos q.b”

Santo MacroGraal

O Trapézio Isósceles da Macrobiótica

Levem-me a bem, o trapézio isósceles é de um imenso valor. É a base alimentar para ajudar a tratar e mesmo curar uma vastidão de doenças. Faz-nos recuperar de uma série de maleitas e é da praxe todo o estudante, passar por esta fase durante um período de alguns meses. Passada a doença ou a praxe, é suposto adquirir-se um entendimento tal sobre os príncípios energéticos e rumar a um diagrama mais alargado e dinâmico, onde as variações são tantas como a adaptabilidade criativa do praticante. Poderemos tomar diferentes caminhos e deveremos ser capazes de realizar diferentes ajustes em acordo com uma infinitude de fatores a que podemos globalmente dar o nome “vida”.

Relembrar

Saber dos nutrientes e compostos tóxicos ajuda mas o grande foco da macrobiótica está na atenção dada à qualidade energética do alimento. Daí a preferência pelos biológicos, por métodos mais manuais e artesanais em detrimento dos quimicalizados, mecânicos e processados.
Sal é essencial, se for consumido q.b e sendo marinho.
Comer picles e fermentos é essencial, desde que sejam fermentados apenas com sal ou vinagre de ameixa. Os comuns avinagrados em vinho, com açúcar e outros conservantes, é preferível nem lhes tocar.
Arroz integral sim, no entanto é importante demolhar umas boas horas para retirar os tóxicos fitatos.
Alimento biológico sim, mas pouco vale se não for igualmente acompanhado de uma boa alimentação : sentar, mastigar bem, comer traquilo, evitar certas misturas e horas, não exagerar, etc. Um mundo que torna a “alimentação” bem mais relevante que a “nutrição” simplista.
Não é suposto termos medo da comida, porém é importante vê-la como uma substância que nos afecta e modela muito para além da visão simplista de um mero combustível ou nutriente.
O alimento é apenas uma dimensão e outras existem que nos nutrem. Daí que a alimentação importa porém os princípios, as práticas e os fundamentos importam mais. A alimentaçao é uma parte, a macrobiótica é outra e é bem maior no contexto de uma “grande vida”.

2017-02-23T18:33:34+00:00

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