Destino

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Visão simplista e comum sobre o destino e o livre-arbítrio

Sunrises 108 (HD) » 2013 (11)

(Montanha do Cavalo Branco, CHINA 2013) Na mais simples gota de orvalho condensam-se ecos do universo. Reflexos que viajam biliões de quilómetros, por tempos imemoriais, convergindo num ponto e momento singular.

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A interação entre estas Cinco forças modelam inúmeros destinos possíveis.

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Existem biliões de artigos escritos e este está predestinado a ser conhecido por ti. Senão o leres atentamente, este nunca terá a hipótese de te ensinar. Vamos aprimorar o teu entendimento sobre o destino.

O Destino é interpretado tipicamente como uma espécie de fatalidade. Algo inevitável que atua como uma imposição, através de um desconhecido desígnio ou carma. O carma é também mal e parcamente entendido como uma espécie de Karma Fuck (o equivalente espiritual ao conceito de justiça do “Olho-por-olho e dente-por-dente”).

Em oposição a esta noção de destino, surge a noção de livre-arbítrio. Através deste teríamos alguma ou plena escolha das nossas ações, justificando assim todo o carma e o merecido destino que venhamos a coletar.

A percepção ambígua de Destino versus Escolha, costuma gerar expressões semelhantes a : “é porque não tinha de ser”, “tudo acontece por uma razão”, “a lei da atração é o segredo oculto”, “Tudo depende de ti”, “Tu tens o poder supremo.”, “O Universo é um espelho”, “é o carma dele”, etc.

Sina deriva do latim SIGNA, “sinal”. Destino vem do latim stanare (stare). Destinare era “fixar, afirmar, estabelecer”. Começando a ser utilizado como “aquilo que é estabelecido com firmeza”.

O Bom João ao ler o sinal que diz “Porto” segue nessa direção, virando de seguida no que diz “Lisboa”. Caminha longamente até que lhe surge o sinal “STOP”, aí ficando aborrecido com sua sina e suspirando por um destino melhor.

A história acima serve para ilustrar os equívocos que realizamos na interpretação de sinal, sina e destino, com relativa regularidade. Por exemplo, “ler a sina” é ler sinais. Indicadores para realizar uma previsão de um destino. Uma previsão por seu turno é um palpite com base na leitura de indícios. Por isso se diz “previsão do tempo” para o palpite do que vem e “informação do tempo” para indicar o tempo que está.

Num entendimento mais aprimorado, o Destino é semelhante a um cereal : a semente que é também o fruto. A semente está predestinada a ser um fruto. Se tal acontecer diz-se que cumpriu o seu destino. Se o semeamos ou se o comemos, é uma escolha nossa e do ponto de vista da semente, nós os animais somos uma adversidade do ambiente.

Podemos entender o Destino como uma realização a partir de uma tendência. Tal como o orvalho a partir de uma condensação. Simplesmente um resultado, que recebe o nome de Destino, à semelhança de uma estação.

O Predestino, o Destino e as Forças Modeladoras

Os inúmeros destinos possíveis, são resultantes de diferentes forças em jogo que atuam em conjunto e modelam cada uma, o destino em maior ou menor grau.
O predestino é o início a tudo o que se seguirá, o potencial à partida.
O destino é o fim de tudo o que o precedeu, uma conclusão à chegada.

A força Natureza representa o desenho que algo recebe de antemão. Um desígnio ou definição atribuída. Por exemplo, a expressão genética, a forma humana, a planta arquitectónica de uma casa, o design de um livro são tudo exemplos desta força.

A força Ancestral representa o potencial de algo. É a origem estando associado a uma direção. Contém um propósito.
Exemplos : caminhar sobre duas pernas, respirar, criar uma habitação para uma família.

A força Capacidade relaciona-se com as faculdades, o material e as características geradas.
Exemplos : um indivíduo bem desenvolvido em todas as dimensões, uma casa em madeira de carvalho com uma capacidade anti-terramotos e bem isolada.

A força Ambiente relaciona-se com eventos cíclicos ou imprevistos. Circunstâncias que geram determinadas condições.
Exemplos : é inverno, está sol, há fumo, o indivíduo entra na puberdade, constipa-se, encontra um chapéu.

A força Escolha relaciona-se com o livre-arbítrio e a responsabilidade associada. Quanto maior a habilidade em dar resposta, maior o poder de moldar ou moldar-se.Esse aumento de liberdade requer um entendimento e responsabilidade que a acompanhe.
Exemplos : devolver o chapéu encontrado, alterar hábitos de vida que o fazem adoecer regularmente, aprender a dizer não, aceitar ou sair de um emprego, etc.

Os destinos de um livro

Um livro tem um desenho apropriado ao seu propósito. Assim diz-se que está predestinado a ser lido e comunicar uma informação. A sua capacidade irá permitir-lhe para resistir a algumas adversidades. Diferentes forças irão definir o seu destino.
Ao ser lido, diz-se que cumpriu o seu destino (ancestral) mas inúmeros destinos são possíveis : arder no fogo da livraria, nunca ser vendido, ser calço de uma mesa, servir de alimento a térmitas, etc.

Resumindo, individualmente uma criança que é gerada não é determinada pelo pai, a mãe, os avós, a alimentação, a gestação, a estação do ano, o alinhamento astrológico, o imprevisível, etc. Apesar de não a determinarem, todos contribuem para a criança gerada e assim por diante. Desde infinito até infinito em vagas sucessões, como as ondas de um imenso oceano.

Desta forma cada riacho contribui para o rio resultante sem o determinar. Contribuindo os riachos, as nascentes, os peixes, as pedras, o sol, a lua, as margens, a rotação da Terra, as estações do ano os pássaros, os lobos… (ver vídeo Como Lobos Transformam Rios).

NOTA : Certas forças foram omitidas para tornar o artigo mais acessível ao leitor comum. Porém as noções básicas a reter, estão aqui bem retratadas.

2017-01-27T12:12:34+00:00

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