Continuo a mudar de forma, em modo gambuzino, vagabundo itinerante, errante e agarrado ao verbo ser. Tenho trabalhado como cozinheiro, engenheiro informático, terapeuta massagista, pintor, escritor, professor, artista marcial, instrutor de meditação, guia de viagens, pintor, servente… “Como pode isso ser” ou “não tem nada a ver contigo” são expressões comuns que vou escutando.

Quando tinha menos idade perguntavam-me “O que queres Ser quando fores grande?” e a resposta ia mudando : pintor, arqueólogo, maestro, inventor, futebolista, cientista, explorador…
Ganhei idade e deixaram de me perguntar. Compreendi que em verdade não tenho de ser nada, não é necessário encaixar numa chapa quatro para se ser.

Nesse sentido posso dizer que não cresci. Continuo a ser criança, a sonhar e a ser para onde quer que o sonho me mova. O trabalho torna-se uma brincadeira, a profissão um papel que troco se a brincadeira deixar de ter piada. Ganho experiência porque me dedico a tudo com intensidade por um mínimo de anos, a não ser que seja infeliz, aí a minha resistência não passa os meses.

É um pouco aborrecido não termos uma resposta concreta para quem nos quer arrumar na sua prateleira do “Manel do tractor”, a “Maria cozinheira”, a “Carla do CCB”, o “Pedro arquitecto”, a “Rita da contabilidade”. E para não aborrecer estes podemos responder com os genéricos “gestor”, “assessor”, “consultor”, “professor”, “responsável de”“terapeuta”… pois a memória precisa de um significado emocional a que se agarrar. Pena que seja nesta redução “Nome+Utilidade”. Paradigma deste tempo, em que nem pessoas escapam a esta distorção de tudo à sua forma objectiva e funcionalBem bonito seria escutar designações mais vastas como o “Baltazar Sete-Sóis”, a “Blimunda Sete Luas” o “Elvis Rei do Rock”, o “Vasco Gambuzino”, a “Ana Brilho de Água”… é só sonhar.

E porque despertando do sonho vem a realização, no quer que faça tento apenas ser grande. Não sendo graúdo ou coisa alguma posso continuar a crescer. Encontrar a melhor forma de mim mesmo na acção a que me dedico, sabendo que é apenas uma forma que toma o ser. Em cada momento, acto, tarefa, papel… simplesmente ser, a melhor versão… o melhor verso do verbo ser.

Crescer, é para sempre.

2017-11-29T23:38:09+00:00

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