TLS 2026: Qigong Taoista e Daoyin Yangsheng
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Índice TLS 2026: Qigong Taoista e Daoyin Yangsheng
Plano das sessões TLS 2026: Qigong Taoista e Daoyin Yangsheng
O sistema completo das Práticas de Longevidade Puro Yang é composto por vinte e sete exercícios, organizados em três níveis de nove movimentos cada.
Neste mini-curso, o foco será colocado na aprendizagem aprofundada da teoria-base da longevidade segundo a visão taoista da linhagem Puro Yang e na prática de 9 exercícios-chave, essenciais para manter a saúde e alinhar corpo e espírito.
Exploramos também os príncipios fundamentais de cultivo da vitalidade no estilo de vida.
Objetivos
- Compreender os fundamentos do Yang Sheng Gong enquanto arte de cultivar a vida
- Vivenciar a estrutura dos três níveis da longevidade (Tiān–Dì–Rén)
- Aprender 3 exercícios-chave de cada nível, com correção e entendimento profundo
- Desenvolver mobilidade, fluidez e integração corporal
- Regular o fluxo de fluídos, energia (Qi) e emoções
- Criar bases seguras para uma prática autónoma e continuada
- Promover saúde, vitalidade e clareza mental através da prática regular
Sistemas e tradições orientadas para a cultivação da vida, prevenção e manutenção da saúde.
Aprendizagem aprofundada do cultivo da vitalidade no mundo. Fazendo a integração com a teoria-base da longevidade segundo a visão taoista da linhagem Puro Yang e o Yangsheng Gong (práticas de cultivo da vitalidade).
Primeiro Passo para recuperar O Poder Original
Trabalho focado na abertura do corpo e na regulação do movimento, promovendo mobilidade, fluidez e coordenação entre respiração e gesto. Os exercícios ajudam a libertar tensões acumuladas e a criar um corpo mais disponível, estável e funcional, estabelecendo as bases físicas e percetivas da prática.
Segundo Passo para recuperar O Poder Original
Práticas orientadas para a regulação do Qi (energia vital) e para a relação entre estrutura, respiração e eixo corporal. Este nível aprofunda a estabilidade, o enraizamento e a continuidade do movimento, favorecendo uma sensação de maior integração e equilíbrio energético.
Terceiro Passo para recuperar O Poder Original
Trabalho mais subtil, centrado na integração corpo–energia–consciência. Os exercícios promovem presença, quietude ativa e clareza interna, apoiando um estado de maior coerência global e cultivo do estado de espírito (Shen).
Fundamentos Essenciais
Princípios essenciais nas práticas daoistas
Para a realização correta das práticas daoistas incluíndo o Qigong, Taijiquan, entre outras, é vital aprender as bases. Nesta série de aulas exploramos os diferentes pontos essenciais de postura, alinhamento, respiração e outros aspetos que guiam o movimento.
Fundamentos essenciais parte 1/4
A sessão inicia com os pilares das artes taoistas e a localização do Dantian como centro de equilíbrio. Explica-se o alinhamento postural com a gravidade (força do céu), ao relaxar o sacro e cedendo nos joelhos. Destaca-se que a linha reta não existe na natureza, privilegiando-se movimentos curvos, o menor esforço e o progresso gradual na estrutura corporal.
Fundamentos essenciais parte 2/4
Foca-se a transferência de peso entre pés, distinguindo o passo “cheio” do “vazio”. A importância de uma respiração nasal e silenciosa. Introduzem-se os três centros energéticos e realiza-se um ritual de conexão ao espaço e mestres. Praticam-se movimentos de abertura para desenrolar a coluna e harmonizar o Qi, enfatizando a importância da pausa para integração.
Fundamentos essenciais parte 3/4
Explora o conceito de Caminho Natural, 道 Dao, e a conexão com a natureza universal. Introduz-se o termo Daoyin 导引 (Guiar e conduzir), defendendo que, antes de controlar, deve-se aprender a escutar o corpo. Estabelecemos a comparação da prática com a de uma dança harmoniosa com o próprio corpo, evitando o domínio forçado e a tensão.
Fundamentos essenciais parte 4/4
Aprofunda-se a prática do caminhar consciente, testando o chão com leveza antes de transferir o peso total. Aborda-se como a respiração deve iniciar e liderar o movimento físico para evitar o cansaço. Sumarizamos as características do estilo Wudang, enfatizando o uso de círculos, espirais e movimentos contínuos em forma de infinito.
Saudar e conectar

Qualquer exercício começa e termina por saudar e conectar.
Agradecemos no início e no fim, de uma prática ou de uma forma de taijiquan. O desenvolvimento do reconhecimento é um indicador do grau de consciência e de que se adquiriu percepção do entrelaçamento dos fenómenos.
Só podemos integrar o que diferenciamos com acolhimento. Quando agradecemos reconhecemos as dívidas, divisões, separações, semelhanças e diferenças. No entanto, devemos evoluir da diferenciação explícita e vinculada do “obrigado”, ao reconhecimento implicito da unidade que dissolve todas as divisões. Ao saudar abrimos a porta ao que aparentemente era separado. Criamos uma ligação para voltar a reunir.
Historicamente o termo religião, apresenta duas raízes etimológicas: restabelecer a ligação e reunir a legião. Já o termo pecado tem uma raiz simples derivada do latim “pecare”, que significa separar. Assim o pecado original é somente a separação original. Separar é a consequência natural da razão, do processo de conhecimento. O reducionismo potencial do conhecimento pode ser mitigado pelo saber e saborear da experiência, munida não de um pré-conceito mas de uma saudação que honra e reverencia o desconhecido, o diferente. Pela separação conhecemos, pela reunião, integramos e sabemos.

Na saudação daoista as mãos sobem ao nível da testa (ou um pouco mais acima) e descem até ao dantian. Ao longo desse movimento existem cinco momentos fundamentais.
- Inspirar, subir, entrelaçar as mãos e no wuji (após a inspiração) estabelecemos a conexão interior com o exterior, interligando os fenómenos yin e yang, visível nas mãos.
- Expirar, descer, ligação ao Céu e ao passar sobre a testa (3º olho) saudamos pensando “Aos imortais”.
- Expirar, descer, ligação aos seres humanos e ao passar sobre a boca saudamos pensando “Aos mestres”.
- Expirar, descer, ligação à Terra e ao passar sobre o coração saudamos pensando “Ao povo”.
- Sossegar no dantian e unificar, após a expiração na fase wuji integramos os anteriores numa unidade.
Reconhecer o apoio que transcende
Para lá de nós o transcendente apoia-nos, seja pelo calor do sol, a lua que move marés ou algo tão simples como um corpo que se autoregenera. O terceiro olho representa a porta do shen, ao abrir esta porta nosso espirito tem o alcance da visão para lá dos olhos e por onde intui.
Honrar o apoio que orienta

Navegar no mundo é imensamente assistido pelo legado dos experientes que nos podem guiar no labirinto de modo a evitar-mos trabalhos e perigos. A boca expressa pensamentos imateriais que tomam forma no símbolo, na palavra e outras representações de Qi que move a ação, interagindo com yin e yang, captado e expresso por órgãos e sentidos.
Saudar o apoio que sustenta
Um pão, um casaco, uma cadeira são apoios invisíveis da terra que apoia a nossa experiência no mundo. O coração representa fonte da qual brota toda a circulação do fluxo sanguíneo (xue 血) e o corpo a morada feita da essência (jing 精) da terra.
Cultivo da vitalidade (养生 yǎngshēng)
Qigong da Longevidade nos Três Níveis
As Práticas de Longevidade do estilo Puro Yang ( 养生功春阳, Yang Sheng Gong Chun yang) segmentam-se em três níveis compostos por nove exercícios cada, num total de 27 movimentos para recuperar e manter a saúde.
Longevidade nos Três níveis (三乘总势: 开关通窍 Sān chéng zǒng shì: Kāiguān tōngqiào). Os três níveis sao o Ser Humano (人 ren), Terra (地 di) e Céu (天 tian), captados pela expressão tiandiren. Nas práticas de longevidade do estilo Puro Yang temos três níveis compostos por nove exercícios cada. Ao longo das próximas sessões exploramos três exercícios chave de cada um dos níveis. Num total de 9 movimentos.
O vídeo completo e os materiais de apoio desta masterclasse estão disponíveis aos membros.
Ren 人 - O 1º passo para recuperar o poder original
O primeiro nível, associado ao “Ser humano” tem o nome alternativo de Fluxo (figurativo de Xue 血 sangue) e lida com a vitalização dos fluídos corporais. Os movimentos servem para mover e regular, corpo e junções, promovendo um fluxo adequado no corpo. De um ponto de vista de prática externa vai abrir e mover as sete articulações principais. Internamente move toda a rede dos “5 orgãos” (associados às Cinco Fases) tendo como intuito, libertar o corpo e mente, para gerar um fluxo adequado. Seja o fluxo de fluídos, emoções ou de pensamentos, os nove exercícios deste primeiro passo, visam regular o ser humano para gerar harmonia entre respiração e movimento. Visando a abertura do corpo e criando as bases aos passos seguintes.
O vídeo completo e os materiais de apoio desta masterclasse estão disponíveis aos membros.
Di 地 - O 2º passo para recuperar o poder original
O segundo nível, associado à Terra, trabalha a dimensão energética e tem como foco mover e regular o Qi (气). Enquanto o primeiro passo abriu as “portas” do corpo, este nível aprofunda a prática: de um ponto de vista externo, os movimentos visam descomprimir tensões acumuladas em áreas específicas e, fundamentalmente, regular a coluna vertebral, assumindo-a como o tronco central e condutor da energia. Simultaneamente, existe um trabalho fisiológico mais ativo, estimulando o sistema respiratório e promovendo a circulação do sistema linfático. Ao eliminar as tensões estagnadas nestes centros vitais, a prática não só os fortalece individualmente, como restabelece a comunicação fluida entre eles, consolidando a saúde energética do praticante e ajudando a estabilizar emoções e pensamentos
O vídeo completo e os materiais de apoio desta masterclasse estão disponíveis aos membros.
Tian 天 - O 3º passo para recuperar o poder original
O terceiro e último nível corresponde ao Céu e eleva a prática à dimensão do Estado de Espírito (Shen 神). Aqui, o trabalho torna-se progressivamente mais subtil e profundo, exigindo e desenvolvendo um aumento considerável da sensibilidade. Do ponto de vista da prática externa, começamos a fortalecer os tendões e as vísceras, mas o verdadeiro marco é a sincronização dos sistemas: muscular, esquelético, nervoso, circulatório e respiratório que começam a operar como uma unidade coesa. Desta unificação dos sistemas surge uma profunda pacificação. Internamente, a energia flui sem obstruções e a rede dos “5 órgãos” estando vitalizada e em harmonia, gera a uma elevação do estado de espírito, de modo a cultivar o Shen, integrando finalmente corpo, vitalidade e o nosso estado.
O vídeo completo e os materiais de apoio desta masterclasse estão disponíveis aos membros.
Círculo interno - TLS 2026: Qigong Taoista e Daoyin Yangsheng
💬 Círculo interno de partilhas da turma
Sozinhos vamos mais rápido mas juntos chegamos mais longe.
Hélder Moura
Achei muito interessante perceber que foi identificado um número máximo de divisões das células e que isso determina temporalmente e geneticamente o nosso tempo de vida. Se isso pode ser alterado é outra questão à parte 🙂
Também cada vez mais me tempo vindo a aperceber do efeito e importância do descanso. Descansar para fazer, em vez de fazer para descansar.
O descando é em si uma atividade.
Longevidade não é só viver muitos anos. É viver muito tempo, sendo que muito tempo é relativo, muitos anos é quantitativo.
Vasco Daniel Baião
Tive o mesmo espanto quando descobri sobre o limite de Hayflick. Antes de 1961 existia a crença de que as células eram imortais, mas o Hayflick criou um teste que indicava que estas têm um “prazo de validade”. Ou seja, as células fetais dividem-se entre 40 a de 60 vezes e testou-o misturando células “velhas” e “jovens” no mesmo prato. As velhas pararam de se dividir no tempo previsto, enquanto as jovens continuaram a todo o gás, provando que existe um “relógio interno” (os telómeros) e que a paragem não era só ambiental. No entanto, “porque eu acredito na ciência” é a afirmação mais anti-ciência possível, felizmente imensas críticas foram feitas ao teste e outros caminhos foram sugeridos. Uma crítica comum é a deque em laboratório, o excesso de oxigénio pode “oxidar” e envelhecer as células mais depressa do que no corpo humano. Ainda assim, é válido que o ritmo de divisão vai abrandando progressivamente até parar.
Mas se dermos largas à imaginação, surgem outras questões. Dá para fazer “reset”? Foi o que pensei a seguir. Pelo que descobri não só dá, como há exemplos disso e já está em decurso. Por exemplo, o cancro faz isto mesmo de forma maligna ao ativar uma enzina que reconstróis os telómeros e tornam-se imortais. E nas últimas duas décadas, já existe usa a reprogramação celular para fazer com que uma célula velha volte ao estado embrionário, fazendo o tal ‘reset’, literalmente do contador biológico. O estudo começou em 2006, por um cientista japonês (Shinya Yamanaka) que ao injetar quatro proteínas específicas (Fatores de Yamanaka) apaga a identidade da célula e faz o tal reset.
É incrível também como a intuição e experiência dos antigos mestres daoistas estava de certo modo alinhada com isto. No Taoismo, especificamente nas práticas de Alquimia Interna (内丹 Neidan), o objetivo final é muitas vezes descrito como o “Retorno à Origem”. Tal como já abordámos no curso anual PTW, quando vimos ao mundo, vimos com a bateria cheia de energia vital (o Jing). Viver, stressar e reproduzir consome esta bateria levando ao envelhecimento (precoce ou não dependerá de como o vivemos). As práticas taoistas, seja através de respiração, movimento ou meditação, procuram não só abrandar esta perda, mas num modo bastante mais avançado, reverter o fluxo. A ideia é refinar a energia para rejuvenescer os tecidos e voltar a um estado de “Bebé Imortal” (o estado de potencial puro, tal como a célula estaminal).
Portanto, Helder, o que a ciência faz hoje com engenharia genética num tubo de ensaio, os taoistas tentam fazer há milénios “in vivo”, através do treino da mente e do corpo. Ambos procuram a mesma coisa: voltar ao momento antes do tempo começar a contar. Mas isto são temas para outras histórias, ambições e trabalhos. Por agora, se conseguirmos melhorar com as práticas de yangsheng e daoyin, já é um grande feito.