O que há para ti
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A Formação Anual de Práticas Taoistas de Wudang, não ocorre todos os anos e as vagas são limitadas para garantir um trabalho personalizado em turmas pequenas. O processo de candidaturas ocorre entre abril e junho, fechando meses antes do início em setembro, o que permite aos alunos começarem o estudo antecipado. A admissão passa por um processo de candidatura prévio que serve para verificar a adequação mútua: se o perfil do praticante se ajusta ao que procuramos e se a formação responde ao que este procura. Caso sintas entusiasmo com o programa, incentivamos-te a candidatar-te para que possamos avaliar, em conjunto, se o teu ingresso é adequado a ambos.
Este módulo convida-nos a sintonizar com a energia introspetiva do solstício de inverno, marcando um retorno às raízes e ao centro. Focaremos na harmonização do ser humano entre o Céu e a Terra, explorando a cosmologia daoista não apenas como teoria, mas como uma experiência somática. É o momento de cultivar a energia vital através do Daoyin de “Ren” (Ser Humano) e de compreender como os ciclos circadianos influenciam a nossa saúde. Ao abraçar a unidade na meditação, preparamos o terreno para que a força explosiva (Fali) possa emergir de um lugar de profunda quietude e estrutura.
Sessão de Perguntas e Respostas (Q&A – 30 min)
Um espaço aberto e dinâmico para esclarecer dúvidas sobre os conceitos e as práticas aprendidas no dia anterior, garantindo que a base do módulo está firme para a progressão.
Integração do Qigong da Longevidade “Ser humano”
(Qigong – 60 min)
Aprofundaremos e completaremos a prática dos Nove Exercícios de Ren (人), fechando o ciclo de cultivo deste conjunto. Focaremos na fluidez da transição e na intenção (Yi 意) que liga os movimentos, permitindo que a energia circule livremente pelos meridianos. Abordamos algumas das funções terapêuticas dos movimentos e a cultivo geral dos três níveis de longevidade no estilo Puro Yang.
Fali (發力): A Emissão de Força Explosiva
(Taiji Quan – 60 min)
Introdução ao conceito de Fali (發力), a emissão de força (Qi) do centro para a extremidade. Utilizaremos exercícios com velas, toalhas e aplicações práticas para demonstrar e praticar a geração de energia a partir da raiz, garantindo que a força é transmitida através da estrutura corporal unificada.
Forma Taiji Quan do Cavalo Celestial (Taiji Quan – 60 min)
Damos continuidade à aprendizagem da Forma de Taiji Quan daoista do Cavalo Celestial, desenvolvendo até ao passo “bo yun xia tan 拨云下潭” (21. Pushing the Clouds Apart, Descending Into the Deep Pool), integrando a força recém-aprendida do Fali com a fluidez do movimento.
Ciclos Circadianos e os 12 Ramos Terrrestres
(Daoyi – 60 min)
Estudo aprofundado da importância dos Ciclos Circadianos (o fluxo de Qi nos 12 períodos do dia) na saúde, diagnóstico e tratamento. Aprendemos como o nosso corpo harmoniza-se com o tempo e como otimizar as atividades e práticas para respeitar o fluxo energético dos órgãos.
Fundamentos de Kung Fu: Técnicas de Joelho (Xi Fa 膝法) (Kung Fu – 30 min)
Focamos nas técnicas de joelho (Xi Fa 膝法), explorando a aplicação destes e proteção, com ênfase na estabilidade e no uso da anca para gerar força. O foco principal é a segurança, a proteção das articulações e o uso do joelho como uma ferramenta de controlo e (des)equilíbrio.
Meditação com o solstício (Meditação – 30 min)
Continuamos o trabalho de Bào Yī (Abraçar o Uno) da véspera. Esta meditação final foca na manutenção da unificação e na integração das energias do módulo, levando a quietude interna para a prática e para o dia a dia.

Qualquer exercício começa e termina por saudar e conectar.
Agradecemos no início e no fim, de uma prática ou de uma forma de taijiquan. O desenvolvimento do reconhecimento é um indicador do grau de consciência e de que se adquiriu percepção do entrelaçamento dos fenómenos.
Só podemos integrar o que diferenciamos com acolhimento. Quando agradecemos reconhecemos as dívidas, divisões, separações, semelhanças e diferenças. No entanto, devemos evoluir da diferenciação explícita e vinculada do “obrigado”, ao reconhecimento implicito da unidade que dissolve todas as divisões. Ao saudar abrimos a porta ao que aparentemente era separado. Criamos uma ligação para voltar a reunir.
Historicamente o termo religião, apresenta duas raízes etimológicas: restabelecer a ligação e reunir a legião. Já o termo pecado tem uma raiz simples derivada do latim “pecare”, que significa separar. Assim o pecado original é somente a separação original. Separar é a consequência natural da razão, do processo de conhecimento. O reducionismo potencial do conhecimento pode ser mitigado pelo saber e saborear da experiência, munida não de um pré-conceito mas de uma saudação que honra e reverencia o desconhecido, o diferente. Pela separação conhecemos, pela reunião, integramos e sabemos.
Na saudação daoista as mãos sobem ao nível da testa (ou um pouco mais acima) e descem até ao dantian. Ao longo desse movimento existem cinco momentos fundamentais.
Para lá de nós o transcendente apoia-nos, seja pelo calor do sol, a lua que move marés ou algo tão simples como um corpo que se autoregenera. O terceiro olho representa a porta do shen, ao abrir esta porta nosso espirito tem o alcance da visão para lá dos olhos e por onde intui.

Navegar no mundo é imensamente assistido pelo legado dos experientes que nos podem guiar no labirinto de modo a evitar-mos trabalhos e perigos. A boca expressa pensamentos imateriais que tomam forma no símbolo, na palavra e outras representações de Qi que move a ação, interagindo com yin e yang, captado e expresso por órgãos e sentidos.
Um pão, um casaco, uma cadeira são apoios invisíveis da terra que apoia a nossa experiência no mundo. O coração representa fonte da qual brota toda a circulação do fluxo sanguíneo (xue 血) e o corpo a morada feita da essência (jing 精) da terra.
As Práticas de Longevidade do estilo Puro Yang ( 养生功春阳, Yang Sheng Gong Chun yang) segmentam-se em três níveis compostos por nove exercícios cada, num total de 27 movimentos para recuperar e manter a saúde.
Longevidade nos Três níveis (三乘总势: 开关通窍 Sān chéng zǒng shì: Kāiguān tōngqiào). Os três níveis sao o Ser Humano (人 ren), Terra (地 di) e Céu (天 tian), captados pela expressão tiandiren.
Longevidade em si é mais uma atitude que uma técnica. Com a atitude, o modo certo tudo contém o potencial de ser longevidade ou o contrário. Nas práticas de longevidade do estilo Puro Yang temos três níveis compostos por nove exercícios cada. Cada exercício pode realizar-se em sequências de 3,5,7,9 vezes. Se quisermos podemos realizar mais que uma sequência para cada exercício. Assim, por exemplo, se escolhermos uma sequência de sete vezes, podemos realizar uma ou mais sequências.

2. Bùlǎo qīngsōng 不老青松 “Não sou um pinheiro velho”
Este movimento promove a mobilidade articular das ancas e joelhos. Ao estimular os pontos energéticos nos pulsos e rins, beneficia o coração e a digestão, além de aliviar dores de costas, fadiga e insónias. Fortalece o sistema reprodutivo e a imunidade geral, combatendo deficiências internas e prevenindo o aparecimento de doenças.
Na prática do taijiquan desenvolvemos técnicas de deslocamento e transferência de peso para maximizar a estabilidade e a segurança. Exploramos como o movimento correto do joelho deve ser sincronizado com a planta do pé, garantindo que a articulação se mantenha protegida e alinhada. Asim como os parâmetros de amplitude de segurança do joelho.
Também na inversão e mudança de direções seguimos princípios. A aplicação destes princípios de enraizamento e transferência de peso permite mover com estabilidade em ambientes desafiadores e desnivelados, como a subir e descer escadas, em múltiplas direções e pisos escorregadios, para transformar o caminhar numa verdadeira prática de Tai Chi.
Praticar a sequência de movimentos de taijiquan da forma Tian ma 天马 "Cavalo Celestal" (Tian Ma Tai Ji Tao Lu 天马太极套路 Forma de Taiji do Cavalo Celestial) também conhecida por "33 passos".

A cosmologia daoista descreve a manifestação como um processo contínuo de diferenciação do uno para o múltiplo, sem rutura entre origem e expressão. O Dao não cria o mundo como um ato separado, mas manifesta-se gradualmente através da organização do qi. Estes estágios não são entidades metafísicas isoladas, mas níveis de leitura do mesmo processo, aplicáveis tanto à natureza como ao corpo e à prática.
Este encadeamento pode ser compreendido segundo dois eixos complementares: dinâmica e estrutura espacial. Primeiro descreve-se o movimento — como o qi emerge, polariza-se e transforma-se. Depois organiza-se este movimento em padrões reconhecíveis no espaço e no tempo. Pertencem sobretudo ao eixo dinâmico Wújí, Tàijí, Yin-Yang, Sì Xiàng e Wǔ Xíng, que descrevem processos, fases e ciclos. O Bā Guà ocupa uma posição de transição, enquanto Jiǔ Gōng e Dì Zhī organizam claramente a estrutura espacial e temporal. Os 64 Hexagramas (de onde surge o clássico livro do Yi Jing 易經) integram ambos os eixos, sendo usados para ler a mudança em situações concretas desde que o fenómeno esteja dentro da matriz espaço-tempo.
A integração filosófica deste modelo não é abstrata. Cada nível da cosmologia pode ser reconhecido no corpo, na respiração, nos ritmos diários e na prática. A passagem da unidade à multiplicidade é o mesmo movimento que vai do silêncio ao som, da quietude à ação. Compreender esta sequência permite alinhar a prática com os ciclos naturais, reduzindo esforço e aumentando coerência.
Cinco fases de transformação do Qi no tempo. Água, Árvore (Madeira), Fogo, Solo (Terra), Metal descrevem ciclos, relações e processos naturais, fisiológicos e psíquicos.
Organização espacial derivada do Lo Shu. Estrutura direções, centros e movimentos, permitindo ler a manifestação em termos de posicionamento e relação.

Descreve a circulação do qi ao longo do dia e do ano, gerando os ciclos circadianos, fases da lua e estações do ano. O tempo é entendido de uma perspetiva qualitativa e não uniforme.
Embora a ciência contemporânea tenha recentemente colocado os ciclos circadianos sob os holofotes, culminando até na atribuição de um Prémio Nobel em 2017 a investigadores que desvendaram o mecanismo molecular deste relógio interno, a Medicina Tradicional Chinesa já tinha mapeado esta lógica biológica há milhares de anos através do sistema dos doze Ramos Terrestres. O que hoje consumimos como uma novidade científica sobre a otimização do sono e do metabolismo é, na verdade, um conhecimento ancestral que antecede em muito a nossa era moderna, estruturado numa compreensão profunda de como os ciclos naturais influenciam diretamente a fisiologia humana.
Muito antes de falarmos em picos hormonais ou regulação de cortisol, os antigos sábios compreenderam que a energia vital, ou Qi, não é estática, mas circula pelo corpo em fluxos constantes como marés. Dividiram o dia em doze períodos de duas horas, atribuindo a cada, um Ramo Terrestre que corresponde ao momento de pico funcional de um órgão específico. Este sistema antecipou a cronobiologia moderna de forma surpreendente, como se observa no período do Ramo do Boi, entre a uma e as três da manhã. A tradição dita que é neste horário que o sangue deve recolher ao fígado para limpeza, o que coincide exatamente com o que a ciência hoje define como o pico de desintoxicação e regeneração celular, processos que exigem sono profundo.
Outro exemplo claro desta antevisão encontra-se no Ramo do Dragão, entre as sete e as nove da manhã, associado ao estômago. A medicina chinesa sempre defendeu este horário como o ideal para a maior ingestão calórica do dia, uma prática que é agora validada pelos estudos modernos de crononutrição que demonstram uma maior eficiência da insulina matinal. Portanto, os doze Ramos Terrestres são muito mais do que uma medida de tempo arcaica; são um manual de saúde preventivo. Eles provam que aquilo que a ciência moderna está a descobrir e a popularizar agora nada mais é do que a validação técnica de uma lei natural que os antigos já respeitavam: a saúde perfeita depende da sincronia das nossas rotinas com o relógio interno dos nossos órgãos.

A consciência do cotovelo (Zhǒu, 肘) é essencial a curta distância. O cotovelo é extremamente poderoso, sendo eficaz para tanto para proteger como quebrar a guarda. Também no cotovelo a rotação da anca poderá desempenhar um papel em conjunto com a abertura das escápulas e do externo. Para tornar o cotovelo mais acutilante a mão deverá ser aberta. Se por outro lado a intenção for gerar uma força mais destribuida então deverá formar-se um punho ao utilizar o cotovelo.
O joelho (Xī, 膝) é uma ferramenta marcial poderosa e versátil, especialmente em combate a curta distância. Para gerar potência é essencial aprender a rotação da anca e estabilizar o pé de apoio, transformando o joelho em algo com impacto explosivo e eficaz para aplicações práticas e técnicas de autodefesa. O domínio do Xī é crucial para qualquer praticante de Kung Fu que procure fechar a distância e finalizar o confronto. Sendo essencial também entender aplicações do mesmo para que nos possamos defender deste.
O período do Solstício de Inverno, conhecido como Dōngzhì (冬至), marca o auge da energia Yin, representando o ponto de maior escuridão e recolhimento no ciclo anual. De acordo com a cosmologia das Cinco Fases, esta fase alinha-se profundamente com o Elemento Água, que rege a essência vital (Jing) e os Rins, considerados o reservatório da força interior e da ancestralidade. Neste extremo do Yin, onde o frio e a quietude prevalecem, a meditação assume um papel crucial. É o momento ideal para a introspeção profunda e para a escuta interna, permitindo a transmutação de emoções e a resolução de conflitos internos com serenidade.

A escolha deste local foi meramente artística. Não deves meditar ou praticar em locais com vento forte.
Sozinhos vamos mais rápido mas juntos chegamos mais longe.