Casamento

- Temos um pedido muito especial a fazer-te… que sejas mestre de cerimónias no nosso casamento.
- Epá… a sério?!… Está bem ! Se acreditam, acredito convosco e farei o meu melhor.

Assim foi, seis meses antes da celebração. Os noivos pensaram em cada detalhe da sua união. Cada pormenor, girando em torno dos cinco elementos. Cada ritual sendo sentido ganhou sentimento, rico em significado tornou-se especial. Ninguém na sala ficou indiferente e de alguma forma todos fomos tocados. Da minha parte, contribui apenas com os sete textos (que se seguem) que acompanharam o que está para lá das palavras. Entre as bênçãos senti-me abençoado. Entre todos e para todos, fomos presentes, uns nos outros. Na sala e ao longo da cerimónia, a gratidão entrelaçava todos os presentes, com um sentimento de genuíno apreço. Obrigado !

YIN-YANG

Enquanto seres unos e inteiros por si, dois seres encontram-se, conhecem-se, reconhecem-se, namoram-se e continuamente conciliam-se num par. E é a partir desta vontade que os noivos têm-se desenvolvido. Desse encontro, reúnem-se aqui e agora para celebrar connosco essa união. Reuni-mo-nos nós para celebrar e assistir com eles a alegria de se unirem um ao outro.
Um par representa sempre uma dualidade, dois seres em oposição que conciliando-se nas suas divergências e crescendo através destas, unem-se no bom e no mau, transcendendo-se em si próprios, na reunião ao amor e pelo amor que os une.
Se ela é Terra, ele é Céu.
Se ela é Mãe, ele é Pai.
Se ela é Yin ele é Yang e se ela é Yang ele é Yin.
Entrelaçam-se em conjunto, conciliando-se ao caminho do qual o amor é o seu perfume.
Esta união é terna. Terna como duas heras entrelaçadas, que assim crescem apoiando-se mutuamente.
O fim do amor é amor em si mesmo.
O Amor que não tem um fim, que é um Amor que não tem um começo, é terno por natureza.
Se quiséssemos dar-lhe um fim, esse seria o seu princípio. E o princípio que o move é unicamente… 
O Amor que não tem um fim, que é um Amor que não tem um começo, é terno por natureza.
Somos presentes, neste presente que é a união simbólica dos noivos, aqui manifesto de forma tão expressiva, como o é este simbólico ritual, este casamento, celebração de amor.
Tal como o amor, a vida é terna, aqueles que se reúnem nesta a este.
Separados somos grandes, juntos somos maiores e conciliados… melhores.

CINCO TRANSFORMAÇÕES

Esta dualidade conciliada, esta união num casal, segue ciclos de dia e noite, yin e yang, ao longo de quatro estações sobre esta terra. Manifestas por cinco ritmos, cinco transformações ou cinco elementos, a que continuamente nos alinhamos dia e noite. E é com este entendimento e vontade que os noivos estão na vida.
Assim ao longo desta cerimónia, simbolicamente, seguiremos rituais que servem de referência, como um diapasão, à melhor forma de nos sintonizar-mos a cada ritmo. Deste caminho pela vida, dos noivos. Eterno Yin e Yang pelas eternas cinco transformações.
Todo o universo desenvolve-se através destes cinco movimentos, interligados e interdependentes entre si : Água, Madeira, Fogo, Terra e Metal.
Relacionando-se entre si numa dança entre dois : Opostos se em conflito, Pólos se em conciliação. E é a partir destes dois pólos conciliados que formamos um eixo, um canal, um caminho pelo qual co-criamos.
A um dos pólos chamamos yin, a outro yang.
Força do céu e força da terra. Ambos caindo, infinitamente, um em outro.
Gravidade e Atracção. Espírito e Matéria. Cacimba e Orvalho. Pai e Mãe.
E é sobre esta esfera de dois que observamos o seu movimento cíclico, pelo espaço, no tempo. Por um dos pólos dá-se em abundância, por outro pólo retira-se o excesso. E é do equilíbrio destes dois que temos o suficiente, o contentamento, a felicidade, a harmonia. Os dois pólos que nos cuidam e nos alinham ao eixo, ao caminho. Se um dá a direcção, outro impõe os limites. Se um diz por onde, outro diz até onde.
Um estimula a energia do movimento enquanto o outro acalma a energia. E se um inunda com som o outro impõe o compasso, para que a musica possa surgir. Assim dizemos que :
A Água alimenta a árvore que dá a Madeira, a Madeira estimula o Fogo, o Fogo torna fértil o solo que compõe a Terra, a Terra apoia a criação do Metal, o Metal mineraliza a Água, A Água alimenta a Madeira, a Madeira estimula o Fogo.
O Fogo liberta o Metal, o Metal dá forma à Madeira, a Madeira sustém a Terra, a Terra apazigua a Água e a Água acalma o Fogo.
Como na natureza existem ciclos, nós também os seguimos e nesta cerimónia, os noivos propõem-se a iniciar um novo ciclo enquanto casal e companheiros de vida.

ÁGUA

Do ponto de vista da Terra (estando ao centro) a água desce às profundezas, porém do ponto de vista do ritmo, o movimento da água é representado pela onda. O movimento é ondulante, uma vibração.
Estação do Inverno, período de gestação, a vida desenvolve-se recolhida nas águas, no útero, na toca, a semente brota, nasce e lança raízes debaixo da terra, de forma invisível.
Símbolo do Filósofo, limpeza, energizar. A água desperta o nascimento, a semente desperta no instante em que é tocada pela água.
Profunda, adaptável, sem forma, invisível. É por este energizar, esta corrente ondulatória que carrega a vibração primordial, que desperta a vida. Dá-se o início e leva ao renascer. E é por isso que tanto no baptismo como em todas as tradições, a água é símbolo de nascimento… ou renascimento.
A água deve ser harmonizada limpa mas não esterilizada. Consoante a qualidade da água, vive o peixe, a planta, o ser. E é pela qualidade da água, a qualidade da vibração, que teremos algo saudável, viçoso, vibrante.

Ritual da Água : verter a água na taça tibetana, vibrar a taça e com essa água ambos lavam as mãos um ao outro. Limpeza do passado e dar um novo inicio, preparando para um futuro a dois.

ÁRVORE (MADEIRA)

Ascendente. Primavera, o germinado brota da terra, torna-se visível, dizemos que nesse momento, nasceu. O que foi desenvolvido nos bastidores é publicado, anunciado. Os bichos cantam, tornam-se manifestos, visíveis. Sai-se da toca, as flores brotam de algo que parecia acabado. As cidades desertas enchem-se de pessoas que saem do conforto dos seus lares. As danças são em pares.
aventureiro, o pioneiro, o explorador. Impulso, movimento, alegria. Ressurreição, renascimento. É a confirmação visível, manifesta de que o que se achava perdido, encontrava-se escondido e que regressa renascido. A novidade. O jovem. O impulsivo.
A árvore deve ser apoiada e guiada a crescer, a ascender. É-lhe dada liberdade infinita de se expandir, desde que na direcção do céu. Apoiando-a e guiando-a. Tal como o ser humano por vezes é apoiado na sua caminhada horizontal, a árvore deve ser nutrida na sua caminhada vertical. A árvore, deve crescer para sempre. Um casal, duas heras entrelaçadas… também.

Ritual da Árvore : plantar árvore, unir raízes. A árvore é plantada com a terra dos locais das duas famílias. Símbolo da união das terras do casal para formar uma nova terra, nova família.

FOGO

Expansivo, todas as direcções, exterior. Verão, meio-dia. Jovem adulto.
ilusionista, o muito visível, é a festa, o show, os frutos nas árvores. Todas as direcções são possíveis, as danças são em grupo, em rodas, em valsas. Se a primavera é o publicado, o fogo é o publicitado.
A função é celebrar, é tempo de cantar aos quatro ventos, explorar os cantos do mundo. Saborear as possibilidades.
O fogo deve ser alimentado e também contido, para que não se disperse e se extinga no processo de expansão. Desta forma irá dar luz, gerar calor para aquecer e cozinhar, nutrir e transformar.

Ritual do Fogo : acender a vela, a chama do amor. O fogo que move e ultrapassa tudo com fulgor e alegria, representa a chama que irá transmutar todas as dificuldades.

SOLO (TERRA)

Movimento descendente. Os frutos maduros caiem à terra.
Uns entenderão como o fim do verão, o verão tardio. Para mim será o fim das estações, a transição, a ponte entre estas.
A Terra é mãe, o pacificador, o embaixador, é suportenutrição, fertilidade. Tem a capacidade de receber tudo e todos, a todos nutrir, a todos dar suporte. É uma cuidadora por excelência e como tal deve ser cuidada, preservada, pois tende a esquecer-se de si própria e a esgotar-se. Assim o carinho e o cuidado é essencial, assim como o respeito e a devoção a esta natureza da qual brotamos. Cuidamos do que que nos cuida.

Ritual da Terra : vaso com areias de 4 cores (4 elementos) vertidas 5º elemento. As famílias vertem, os noivos misturam. Areias que juntas jamais conseguem ser separadas.

METAL

Movimento contractivo, interior.
É o outono, as sementes caem à terra, as árvores cedem as flores e recolhem-se em si. A noite torna-se presente. Os sonhos são trabalhados, a limpeza é realizada e as fontes são repostas.
alquimista, aquele que transmuta e cria os metais preciosos por meio de um ofício sagrado. Em que diligentemente de uma forma muito persistente gera as jóias da terra. É um processo de fé, contínuo em que transmutamos o vulgar em extraordinário. Criamos as sementes que irão dar à luz. Seguimos rituais e cerimónias.
O metal deve ser estimado, protegido no seu recolhimento e desperto pela madrugada. Pelo sonho, colecta a cacimba em orvalho, que recebe a aurora.

Ritual do Metal : alianças (fios) colocados pelos noivos, ambos fazem os seus votos pessoais um ao outro. Os presentes colocam um desejo numa pedra/semente que devolvem como presente.

(Um brinde… com água)
Continuemos a ser felizes, agradecendo aos presentes e a cada presente ! À Nossa !

2017-05-09T19:24:43+00:00

Um comentário

  1. Celebração | alquimiain 7 Julho, 2015 em 17:44- Responder

    […] primeiro casamento a cerimónia desenvolveu-se através das Cinco Transformações. O segundo e último casamento […]

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