Arte Marcial

Gong fu é apenas um degrau para aceder a um nível muito superior.” ~Li Shifu

Na China, o termo gong fu (kung fu) é empregue no sentido de algo ou alguém que desenvolveu uma arte ou um poder por via de um intenso e contínuo treino. Assim pode-se dizer que alguém que costurou por mais de dez mil horas adquiriu um gong fu muito forte a costurar. Alguém que pinta há mais de vinte anos todos os dias, desenvolveu um gong fu fortíssimo a pintar.

Quando nos filmes um mestre exclama “Mostra-me o teu gong fu”, é uma forma de dizer “Demonstra-me o que aprendestes” ou “Mostra-me o valor que desenvolveste”. A qualidade de algo expressa-se na ação mais do que nas palavras. Para alguém entendido numa matéria a simples demonstração de um ou dois movimentos, indicará a qualidade do trabalho de alguém. De forma semelhante aos trabalhos que colocamos num portfólio.

O Gong fu é um degrau de grande altura que requer imenso Gong (功) (esforço/mérito) e Fu (夫) (concentração / compromisso) para desenvolver a habilidade, a arte, a virtude.

A um nível superior, a quinta essência da arte marcial tem o condão de proteger a essência, resgatar o original e dominar o ego usurpador do ser.

A um nível muito rudimentar de entendimento, podemos dizer que arte marcial tem aplicações de luta, ganho, competição, de domínio, de subjugar e vencer. Porém entendê-lo de uma forma tão simplista é perder de vista o melhor desta arte desenvolvida pelo trabalho, o sacro-ofício marcial que faz emergir o talento natural, a virtude.

A um nível superior, a quinta essência da arte marcial tem o condão de proteger a essência, resgatar o original e dominar o ego usurpador do ser. Tornamo-nos senhores de nós próprios podendo a partir desse instante auxiliar outros a libertarem-se de si próprios. O espírito do guerreiro é algo essencial a desenvolver para atingir graus mais elevados. Desiludam-se aqueles que crêem que é possível atingir uma grande altura, sem o desenvolvimento de uma profunda raiz. Este espírito do guerreiro está presente em tudo o que ascende, desde um Cristo quando faz a caminhada dos quarenta dias no deserto ou a da crucificação, a um Buda que persiste contra todas as adversidades debaixo da pereira até atingir a iluminação.

Existe arte no marcial, que é o mesmo que dizer que existe beleza no trabalho persistente e comprometido de auto-superação, de libertação de todas as forças intrínsecas que aprisionam-nos.

Interiormente o “outro”, o inimigo a derrotar, está em nós. Exteriormente o nosso parceiro de luta é o amigo que nos ajuda a desenvolver essa habilidade. É irrelevante quem vence um combate a nível exterior. A um nível interno, perdemos todos sempre que alguém fica preso em si.

Existe arte no marcial, que é o mesmo que dizer que existe beleza no trabalho persistente e comprometido de auto-superação, de libertação de todas as forças intrínsecas que aprisionam-nos.

Na linguagem hindu, a quinta essência da arte marcial remete ao que poderíamos chamar “o poder de Shiva”, em linguagem bíblica “a rendição ao senhor, ao poder divino”, em linguagem newage “o confiar no poder e abundância do universo”, em linguagem de coaching “acreditar no nosso poder pessoal”. Existem inúmeras formas de entender, lancei algumas e fica agora ao leitor, o poder de encontrar a metáfora que melhor lhe aprouver um possível entendimento, uma compreensão.

2017-01-24T23:25:24+00:00

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