A corda

A corda : o mundo é um conjunto de coisas e relações entre coisas.
Rebenta a corda e acorda : o mundo é vivente e interligado por fluxos inseparáveis.

No decorrer dos trabalhos que vou facultando, encontro correntemente o mesmo equívoco geral : a mundividência atual sobre um mundo composto de coisas e nas quais cada ser é uma dessas coisas. Esta visão origina imensos problemas e erros de percepção difíceis de detetar. Assim como demandas em busca de respostas que mais cedo ou mais tarde, irão revelar-se por si só, como disfuncionais quando “o verniz estalar”.

Grande parte do trabalho que realizo com os alunos e pacientes, foca-se em abrir portas para a mudança a um paradigma mais dinâmico e fluído. Desfazendo sempre que possível e conveniente, as crenças fixas que trazem. Seja através de uma aula de Práticas Daoístas, uma Terapia de Gengibre, uma meditação, ou qualquer outra atividade, os testemunhos que recebo regularmente são o de “tocar e despertar algo para uma realidade nova”. Sentem-se mais leves, mais acordados, melhor e sem palavras para descrever bem essa nova realidade com a qual conectaram. Tiveram a oportunidade de experienciar por si e isto desencadeou percepções novas nestes.

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Um equívoco geral em relação à ciência (razão e lógica) é que esta seria sinónimo de verdade e correcto. Esta é a visão do público, assim como de imensos profissionais, investigadores e cientistas com uma forte especialização e uma fraca filosofia. Por estudar a fundo, desde tenra idade, diferentes ciências, filosofia e humanismo e por tirar uma licenciatura em engenharia informática, posso dizer que por experiência estive muitos anos em demanda por esse caminho circular.

olho-perspetiva-mundividenciaCiência e ciente tem raiz etimológica no observador. Assim ciência seria a observação objetiva dos fenómenos, dos dados e de factos. Ao passo que a filosofia seria a observação subjetiva dos fenómenos, a interpretação. Este segundo passo é essencial, pois determina a verdade relativa pela qual nos vamos guiar e atribuir um sentido às observações. Infelizmente, é prática recorrente deturpar este segundo passo e reduzi-lo como integrado no primeiro.

A física (ciência objetiva) e a filosofia (ciência subjetiva) sempre tiveram de caminhar a par-e-passo. Porém, nos últimos trezentos anos houve um descompasso onde a filosofia ficou para trás gerando um tumor na mundividência do homem comum. Este equívoco geral, tem vindo a provocar mazelas profundas na mundividência do ser humano em todas as áreas de estudo.

Operando por uma limitada visão cartesiana, o mundo é entendido como um conjunto de objetos e reduzido a uma matéria de objetos e funções, peças e nutrientes, coisas e coisas entre coisas. A este processo de embrutecimento dá-se o nome de reducionismo, especialização, simplismo ou erro cartesiano.

Diferentes áreas de investigação são embrutecidas através deste paradigma anacrónico. Na medicina, alimentação, física, investigação, economia, psicologia, etc., abundam exemplos onde um reducionismo gritante é aplicado diariamente. Das universidades saem fornadas de jovens doutorados, especializados e formatados de acordo com esta lavagem cerebral que incute o paradigma do mundo finito, concreto, objetivo e determinístico.

Poucas coisas terão uma capacidade tão revolucionária de nos impulsionar a um novo patamar de compreensão e desenvolvimento harmonioso, como atualizar este obsoleto paradigma do século XVIII para um novo paradigma. Até lá continuaremos em última instância a desenvolver pelo modo “smartphone & dumbpeople”. Na promessa do suplemento, a pílula mágica, o tratamento ou o invento que vai resolver tudo magicamente, e que irá sempre falhar. O seu erro deve-se ao paradigma que o incapacita de integrar-se com a realidade em todas as dimensões. Seguindo este caminho continuaremos a desenvolver produtos e alta tecnologia, para em última instância, andarmos alienados na caça de Pokemon Go ou desconectados da realidade enquanto nos conectamos às irrealidades.

A grande falha do paradigma atual é esta ideia de separação e comparação inerente à razão. Que em última instância aliena-se do fator essencial de interligação.

conscienciaO mundo é um processo fluído interligado, impossível de ser compreendido na totalidade pela separação objetiva de rácios ou racionalizações. Por ser animado, é todo ele vivente e interligado por fluxos. Toda a noção de separação é subjetiva e relativa, sem correspondência alguma com a realidade. A razão é a separação irreal que cria objetos imaginários e separados. Que apenas conseguem são concretos quando observados de um ponto de vista, que os separa.

Em absoluto tudo é absolutamente interligado.

Por isso poderemos dizer que a ciência, a observação, quando utiliza apenas a razão poderá apenas lidar e criar verdades relativas que dão conhecimentos relativos. Em absoluto apenas a experiência direta permite uma compreensão profunda e um entendimento que saboreia e que assim, sabe, a sabedoria.

Rebenta as correntes que condicionam-te o pensamento. Conecta verdadeiramente e aprenderás a saber.

2017-04-30T15:16:01+00:00

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