— O Al tem-nos bem no sítio. O tipo tem tomates !
— A Mia também tem-nos bem no sítio. A tipa tem ovários !
 — Mal posso esperar para ver o bebé dos dois. O enérgico Qi.

O curto diálogo acima poderia entrar num livro intitulado “Histórias e contos da santíssima trindade”. Claro que as vendas de um livro com tal título venderiam apenas à porta de congregações. A expressão popular de “o tipo tem tomates” (ou falta deles) refere-se a alguém que munido de coragem e impulso consegue avançar perante algo. O mais ajustado perante uma mulher cheia de vitalidade e coragem é dizer “A tipa tem ovários”.

Do ponto de vista energético e biológico, os testículos representam o reservatório onde as forças do céu materializam-se, sendo um dos efeitos, uma maior produção da hormona da testosterona.

Os orientais dizem também que um homem animado por esta força cresce de cima para baixo ao passo que a mulher cresce de baixo para cima.

Sendo mais permeável a captar a força da terra, na mulher os ovários representam o reservatório onde as forças da terra materializam-se, sendo um dos efeitos, a maior produção da hormona do estrogénio.

A produção dessas hormonas por seu turno vai determinar a sua permeabilidade mais à força modeladora do céu (yang) ou força modeladora da terra (yin). Esta polaridade entre ambos cria a a polaridade (energia potencial, dualidade) que é necessária para manifestar o Qi (energia cinética, força vital, fluxo, prana, etc.).

Este princípio da dualidade está presente em todas as tradições desde tempos ancestrais. Alguns falam em pai e mãe, ou pai e filho, energia masculina e feminina, etc. Em todas podemos encontrar uma raiz comum de entendimento.

A ocidente, pela nossa tendência natural de entender o mundo como bom ou mau, preto ou branco, verdade ou falso, esta coisa e aquela coisa… as interpretações tendem a ser mais conservadoras e radicais. Das perguntas mais comuns quando mostro o símbolo do yin yang é perguntarem-me qual é o bom ou o mau, dando indícios de uma mundividência ainda reducionista. Sempre que alguém aguarda uma resposta pronta de “É bom ou mau?” sugere estar nessa visão reducionista. No entanto, ao questionar em que situações é que algo pode ser pior ou melhor, dá indícios de um entendimento mais integral. O de alguém que entende a influência do contexto (tempo-espaço) no efeito de um fenómeno.

O homem será mais yang por fora e mais yin por dentro. Ao passo que a mulher será mais yin por fora e yang por dentro. A tendência é o homem ter mais força exterior e apresentar-se como maior. Ao passo que a mulher tende a ter mais força interior e ser mais compacta.

yin-forca-terra-arquetipo-feminino△ Este yin externo e o yang interno na mulher, dá-lhe uma tendência a ser mais sensível e receptiva ao exterior e menos permeável no interior. Dando-lhe assim uma possibilidade de uma vida mais longa, crenças mais firmes e alguma confusão perante tantas hipóteses. Pode criar um pensamento mais indeciso por terem naturalmente mais awareness (percepção ao que rodeia). A tendência gerada através da energia feminina é o pensamento mais holístico, subjetivo e aberto ao diálogo. É uma energia que se assume simbolicamente como um escudo, de proteção, de cuidado. A energia da mãe diz até onde a criança pode ir (define os limites). Manifesta-se na relação com o espaço, a adaptabilidade, a colaboração, o sonho e o relaxamento. A dificuldade em definir fronteiras, colaborar, explorar, ser condescendente e a falta de auto-estima, sugerem que a relação com a energia feminina encontra-se em desarmonia.

yang-forca-ceu-arquetipo-masculino▽ O princípio ativo mais externo e o yin interno no homem, dá-lhe uma tendência a ser mais casca dura por fora, mais ativo e menos sensível ao exterior, mais sensível a um nível interno. Cria um pensamento mais decidido por terem naturalmente mais mindfulness (presença sobre o que é). Partindo de yin externo para yang externo poderá dizer-se que a energia masculina corta possibilidades, criando decisões. A tendência gerada através da energia masculina cria um pensamento mais cartesiano, objetivo e bem definido. É uma energia que se assume simbolicamente como uma espada, de ação. A energia do pai diz se a criança pode ir e por onde (decide a direção). Manifesta-se na relação com o tempo, os compromissos, a autoridade, as decisões e o agir. A dificuldade em chegar a horas, assumir compromissos, tomar decisões ou criar conflito com um autor, sugerem que a relação com a energia masculina encontra-se em desarmonia.

O selo de salomão ✡, representava sucesso em qualquer atividade, no sentido de harmonizar as duas forças polares (masculino e feminino, céu e terra). O mesmo sentido está presente no símbolo yin-yang ☯. Pela harmonização de ambas as forças, o princípio masculino e o feminino, cada ser adquire o potencial de viver uma vida mais plena, cheia de potencial e fluxo.

Quando combinamos ambas as forças em nós, conciliando ajustadamente o volume ◁▷, temos harmonia e plenitude. O potencial alquímico de materializar o sonho.

soldier-woman-demi-moreEstes princípios simples são a razão pela qual os homens que ligam-se mais à força yang, força do céu, tendem a ficar carecas ou a criar mais pêlo corporal. É também um dos motivo para rapar-se o cabelo desde tempos antigos para permitir maior abertura à energia do céu. Um bom arquétipo será o soldado. Usando botas de biqueira de aço, roupa justa e muito resistente irá canalizar mais à energia de ação, força do céu, o foco e a visão central ao mesmo tempo que está a bloquear a energia da terra. Cria-se o perigo de perder a ligação às qualidades das forças terrestres da energia mais feminina. O desequilíbrio gera pensamento enviesado, embrutecimento, teimosia, obsessão, agressividade, etc.

como-viviam-os-hippies-2Inversamente ao usar um chapéu largo, cabelo comprido, andar descalço, roupa larga, relaxando, está-se a criar ligação a uma energia mais passiva, força da terra, divagação e visão periférica. Um bom arquétipo será um hippie. Incorrendo o perigo de perder a ligação às qualidades das forças celestes da energia mais masculina. O desequilíbrio gera pensamento vago, dispersão, incapacidade de materializar, dificuldade em assumir compromissos, condescendência, passividade, etc.

Com o intuito de conciliar ambas as forças todo o sacerdote, monge ou comandante deveria combinar ambas. Motivo pela qual há caraterísticas bilaterais para aquele que pretende conciliar ambos os mundos. Os monges ficam carecas e usam saias compridas (hábito). As monjas cobrem a cabeça ou encurtam os cabelos. Os exemplos são inúmeros e abundantes, para quem compreenda profundamente a teoria yin e yang.

Para comandar a vida sabiamente é necessário a harmonização de ambas as forças.

Demasiado yin gera um modo vago e disperso de um “logo se vê” ou “é porque não tinha de ser”. Originando um andar à deriva sem materialização concreta. Há uma dispersão no espaço incorrendo o perigo de não cumprir no tempo certo ou de enveredar por direções menos desejáveis. “Muita parra e pouca uva”.

Demasiado yang gera uma tendência a querer controlar tanto e de ficar tão obcecado com o sucesso no conquistar das ambições desejadas, que se perde a visão do todo. Escapando assim o espaço para realizar o sonho e a adaptabilidade também de ceder no momento adequado.

Generalizando, os homens têm medo de perder o controlo e as mulheres de o assumir. Cada um terá de ganhar tomates e ovários, respetivamente. Pois navegar é ter a capacidade de andar à deriva quando ajustado e a coragem de guiar o leme sempre que necessário. Existe uma palavra que sumariza e desenvolve esta habilidade : responsabilidade, a habilidade em dar resposta.

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