Viagens 2017-01-29T01:21:22+00:00
1-India 2013 (194)
Em última instância não existe fora nem dentro e em cada momento estamos sempre em casa e sempre em viagem. Por vezes é difícil termos perspetiva da nossa “casa”, “quotidiano” e de nós próprios quando estamos demasiado imersos neste. E é nesse sentido que surge a “viagem” ou o “sair fora”, adquirir uma perspetiva mais vasta e profunda a partir de um novo ponto. É certo que as estrelas estão sempre “acima” de nós, porém percebê-las requer certas vezes, o artificio de nos posicionar-mos a jeito de as ver. Afastamo-nos do encadeamento das cidades, deitamo-nos na terra, olhamos para o alto e através desta nova perspectiva religamos ao que nos acompanha sempre.
Antes de saber o norte e o sul, levavam-me os meus pais, a viajar por todo o país. Todos os fins-de-semana saímos na carrinha Datsun vermelha e mais tarde no Renault 5 branco. gambuzino_canuco (5)Nunca sabia onde estava, porém percebi que tínhamos muito castelos, serras, verde e porcelanas. Compreendi que Portugal, a minha terra, era bonita e ao seu modo as pessoas aqui eram-me próximas como família. Apesar das suas pronuncias, hábitos e aspeto diferente que mudava de região para região, aquilo que nos unia como portugueses era maior do que aquilo que nos separava. Assim muito cedo, contando que estava em Portugal sentia-me sempre em casa.
Também desde muito pequeno, comecei a ler muito e a investigar sobre outras terras e povos. Movido pela curiosidade estudei a história de civilizações antigas, homens e descobertas que fizeram história, as diferentes espécies, a história da terra e do universo. Quanto mais mergulhava, mais assombroso e misterioso o mundo se tornava. Comecei então a estudar a fundo filosofia, antropologia e outras cosmologias.
Pouco a pouco, comecei a perceber também que conhecer não era saber e que o “mapa não era o território”. Comecei a ter sede de viajar, de ver e percorrer mundo pelos meus pés e não apenas pela imaginação. Pelas 16 anos decidi que iria viver parte da minha vida num templo e por alguns anos da minha vida teria de viajar pelo Oriente.
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Peru

Aos 20 anos iniciei as viagens e ao longo de 16 anos visitei os cinco continentes. Vivendo algum tempo em certos locais e outros vivendo-os de passagem. Independentemente do tempo sempre fiz por mergulhar a fundo onde passava.

Grande parte das vezes viajei sozinho, outras acompanhado, em grupos organizados ou a acompanhar como guia de viagem. Viajei com dinheiro e sem ele, com muitos recursos e também com poucos. Viajei com planos e também sem nenhuns. Com tudo a fluir e tudo a impedir, sempre movendo-me. Pouco a pouco comecei a ter uma visão do mundo, ganhando progressivamente uma noção da real imensidão deste e o tanto mais que há por conhecer.
Pelos 25 anos compreendi que a Europa, a minha terra, era bonita e ao seu modo as pessoas aqui eram-me próximas como família. Apesar das suas línguas, hábitos e aspecto diferente que mudava de país para país, aquilo que nos unia como europeus era maior do que aquilo que nos separava. Assim até aos meus 28 anos, contando que estava na Europa sentia-me sempre em casa.
Durante anos a fio, investi continuamente todo o meu foco e a maioria das minhas finanças para realizar mais viagens. E hoje ainda momentos há que apanho-me a converter mentalmente, um valor em possibilidades de viagem
“2000€ por um carro ? Para isso prefiro andar de transportes e ir conhecer aquele país”
“€10.000 como entrada a uma casa ? Prefiro continuar a arrendar e ir dar uma volta ao mundo.”
“€70 por uns sapatos ? Com isso compro uma passagem para os Açores.”.
Aos 28 anos finalmente realizei o sonho que projetara aos dezasseis e vivi então cerca de meio ano pela China, no Templo Daoista dos 5 Imortais. Alguns anos depois, ao regressar por mais três meses, senti que simplesmente regressava a uma das minhas casas.
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Compreendi que esta Terra, a minha terra, era bonita e ao seu modo os humanos da minha espécie eram-me próximos como família. Apesar das suas linguagens, hábitos e aspeto diferente que mudava de país para país, de continente para continente, aquilo que nos unia como seres da mesma espécie é maior do que aquilo que nos separa como raças. Assim contando que estou no planeta Terra, sinto-me sempre em casa.
Assim aos 33 anos comecei a sentir que estou sempre em viagem, independentemente do lugar ou da rotina. A cada dia descubro um dia novo e a cada olhar uma nova paisagem. Comecei a sentir também que a humanidade é algo partilhado entre várias espécies e não algo exclusivo à nossa, uma propriedade da natureza do universo que se manifesta de várias formas. E compreendi assim as escrituras daoistas que versam sobre a bondade e afeição natural do Dao (o Caminho). Assim contando que me mantenho alinhado ao caminho e à natureza, sinto-me sempre em família, em casa.
Durante vários anos tenho vindo a guiar pequenos grupos que podem ir de uma dúzia a uma centena. Por vezes em eventos organizados em Portugal outras tantas como guia em viagens pelo estrangeiro. As viagens organizadas tenho vindo a organizar em conjunto com o meu irmão (Luís Baião). Um pioneiro neste tipo de viagens mais familiares e sem dúvida um dos melhores atualmente em Portugal.
Comecei primeiro como simples guia e condutor da empresa de viagens “Ágape” de 2000 a 2006 , depois trabalhei por vários anos, como sócio da Zenfamily de 2007 a 2015. Ao longo de 15 anos, fui guiando centenas de viajantes por dezenas de viagens a Marrocos e Índia principalmente, e também por outros destinos mais esporádicos.
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