Ao fazer os dois currículos nesta semana, apercebi-me de alguns aspectos sobre mim, trabalho e propósito, que são como sempre, a minha opinião pessoal, agora. Acredito que não será igual para todos e acredito também que haverá alguns que partilharão o que sinto. Por essa razão resolvi tornar públicas reflexões pessoais e quem sabe ajudar alguém.

Percebi que não me interessa tanto trabalhar numa área, já fiz mesmo muita coisa e ao olhar para trás compreendi que para mim o que realmente me interessa é o trabalho em si.
Enquanto o dinheiro não for uma necessidade real, dou mais importância ao propósito e à realização pessoal.
Se o dinheiro escassear, estes objectivos ficam em suspenso.
Feito isto, dentro da informática, do bem-estar ou outra área quero encontrar um bom trabalho, que me dê satisfação.
Se isso não for possível, prefiro trabalhar num café, nas obras, whatever ! (A sério ? A sério!)
Qualquer outra coisa que não me moa a tola e me pague as contas.
Quero mostrar-me como sou e não formalizar-me a uma empresa.

Percebi que gosto mesmo de trabalhar, é algo que gosto verdadeiramente e até agora nunca tinha percebido isto tão claramente.
Diverti-me como nunca a fazer um CV e de um modo geral brinco com tudo aquilo em que trabalho. Entro em fluxo.
E para mim o trabalho que se faz a brincar também é trabalho.

Percebi que existem alguns aspectos que necessito para estar bem :
- mostrar-me como sou
- trabalhar com um propósito claro
- trabalhar porque há trabalho e não para aquecer

Apercebi-me que fico fudido quando sinto que trabalho para aquecer, para fazer tempo ou para parecer que trabalho.
Não quero ficar a olhar para um relógio à espera que o tempo passe ou que tenho de inventar coisas para parecer que trabalho.
Quero trabalhar e produzir, ponto ! Não quero passar metade do tempo a ter de mostrar, comprovar trabalho, ou provar por A mais B.

Não quero entrar num sistema de favores. Nem da minha parte, no sentido de achar que sou uma vedeta e que a empresa tem muita sorte. Nem da parte da empresa, de que me está a fazer um grande favor e que lhes devo “Pois há aí muito quem queira”. Nem sobrevalorização nem desvalorização. Simplesmente valorização e apreço mútuo.

Quero trabalhar como uma troca de mútuo benefício. A empresa gosta de mim e eu gosto deles. Tratam-me bem e eu trato-os bem. Quero trabalhar num sentido de troca de serviços e mútuo respeito, que leva a cooperação e em que todos ganham, o sistema win+win.

Monetariamente não desejo “o suficiente”, quero estar desafogado. No banal do dia-a-dia não quero ter de fazer contas.
Da mesma forma quero trabalhar com um propósito e num bom ambiente, produtivo e claro.
Se não for possível então um trabalho e dinheiro para pagar contas é suficiente, no entanto, não é o que desejo.

Aquilo que sou pode ser exactamente aquilo que outros procuram, mas para isso tenho de mostrar o que sou, dar verdadeiramente a cara, sem panos quentes, formatações e formalizações.
Faz-me sentido fazer readaptações e formalizar em contextos específicos, não como uma regra.
Tendo entendido isto, não vou mais trabalhar para uma empresa em que tenha de vestir fato e gravata, para estar frente a um PC durante 8 horas. Já fiz isso e acabou com um queimar da gravata (literalmente) e mandar-me meio ano para um templo taoísta na China. Consigo entender e faz-me sentido que tenha de me engravatar quando vou visitar um cliente, pois a impressão quebra muitos barreiras e tal como acontece com a comida, os olhos também comem.

Cada caso no seu contexto, à espaço para tudo.
“Nem tanto ao mar nem tanto à terra”