Na China, pelo templo, intrigava-me a forma como o mestre dizia a mesma expressão em contextos aparentemente diferentes.

Explicando um conceito numa aula, perguntava seguidamente :
- “Meo wenti?” (Têm questões?)

Se um dia me visse mais abatido ou puto com a vida, perguntaria-me num tom mais suave.
- “Wenti?” (Questões?)

Com o passar do tempo, apercebi-me que em Chinês existe apenas uma palavra, sem distinguir “questões” de “problemas”. O mais remotamente parecido a “problema” será algo como “Dà Wenti” (Grandes Questões).

Reflecti durante algum tempo sobre a razão de termos criado duas palavras. No fim das contas, qual a diferença ?
Concluí que todos os problemas são simplesmente questões e todas as questões podem tornar-se problemas.
Diria que na nossa língua um “problema” é uma questão a que acrescemos a forma como estamos a lidar com este, acrescentamos o nosso “sentir”.
Assim “Problema” será o equivalente a dizer “tenho uma questão com a qual me sinto mal”.

Por vezes lembro-me disto para intencionalmente reduzir um “problema” a uma “questão”, tiro o negrume que assola o espírito e fico numa posição mais clara para resolver a questão.

- “Sim está cinzento, ameaça chuva e não tenho um chapéu. Ora aqui está uma boa questão.”

Algumas pessoas molham-se e outros sentem a chuva?”
~Bob Marley