Em 2003 passei vários dias numa comunidade dos alpes suíços, fundada pelo Mestre Omraam Mikhaël Aïvanhov. Neste centro, o sol, a luz e o silêncio eram considerados ouro. A qualidade na música, no alimento, na fala e no gesto seria prata. E tudo o que fosse realizado na mediocridade seria chumbo. Tão denso e pesado que poderia matar literalmente, ou simbolicamente, pelo embrutecimento que nos causaria o seu peso.
Aqui senti o que significava a palavra “comunidade” e como poderia ser algo bom e acolhedor. Até então, era apenas uma ideia abstrata sem nenhum sentido real. O trabalho na comunidade era voluntário, cabia a todos e entre todos cuidar das tarefas e bom funcionamento da mesma. A alimentação era toda biológica e a mais deliciosa que comi até hoje. Anos mais tarde compreendi que foi a minha primeira experiência com uma alimentação macrobiótica, apesar de na altura o desconhecer e acredito que na comunidade também o desconheçam. O mestre Omraam deu ao longo da sua vida uma série de ensinamentos e palestras, que foram gravados e nos anos posteriores à sua partida, foram redigidos em livros. Dava uma série de conselhos sobre hábitos de vida e alinhamento para cultivar uma boa mente, corpo e espírito. Valorizava o silêncio, a meditação e o colocar de luz, amor e entendimento em cada acto. Dando-lhe assim uma vibração, uma qualidade excepcional que nos iria bem nutrir e assistir num correto desenvolvimento.
Foram apenas 10 dias que ali passei, porém muito preciosos para despertar uma série de novos sentidos que ainda hoje se repercutem.

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