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Abordando questões gerais como vida, morte, ordem, caos, natureza, destino, escolha, carma, propósito, coincidências, serendipidades e outras “…dades” podemos observar, teorias excessivamente complexas ou absurdamente simplistas. Destas derivam equívocos em abundância com todo o tipo de formas e feitios, que servem de guião a filmes e temporadas de séries que propagam os mitos.

Temos em vestes brancas, o arquétipo do macro barbudo humano que personifica um grande avô ou pai. Há quem prefira a personificação numa bela e doce Grande Mãe, uma Macrocósmica Miss Universo. Noutra popular ideia, temos uma entidade humana já sem género, mas ainda personificada e nomeada por algo como Senhor Universo.

Uma boa parte opta por distribuí-los por um panteão de entidades transcendentes que escreverão os nossos guiões por grandes dores de cabeça para realizar os nossos argumentos pessoais, arquitectando a realidade em bibliotecas celestes ou sofisticados laboratórios de super computadores certamente quânticos. A tendência comum vai para a crença de que acima há um “puxar de cordelinhos” a nós, os eleitos da peça cá em baixo, por parte do(s) marionetista(s) a quem se poderia dar nomes como o Grande Controlador, Zeus ou os Chefões.

Outros rejeitam por completo esta visão sugerindo uma visão estéril e quase oposta. Dando explicações lógicas, enquanto colam a cuspo as milhares de coincidências altamente improváveis para que teorias façam algum sentido. Sugerindo como propósito último de que seremos os únicos criadores e que deveriamos tentar controlar tudo, tornando-nos os Grandes Chefões do Sistema. Apelam ao analisar, controlar, excrutinar, dominar e subjugar todas as realidades, sem olhar a meios, em nome de um suposto progresso movido por hipotéticos medos e utopias.

Deste infindável Caminho, o amor é o seu perfume, permeando todas as cores e não-cores, luzes e sombras, formas e não-formas, vida e morte. No caos e na ordem, no bem e no mal, na abundância e na escassez, na saúde a na doença, por toda a relação e por toda a eternidade. É caso para dizer “Amén”

Depois existe o Dao (O Caminho), o conceito de ‘N’atureza e das propriedades emergentes. Onde tudo é tão tremendamente simples e natural que passa imperceptível e de forma intangível a um primeiro olhar. Umas dúzias de homens e mulheres atingiram este estado de Buda : um estado de profunda inteligência e pacificação interna que permite o remover dos vários véus e ter um vislumbre do que subjaz na origem de tudo. Na essência encontramos a semente que deu a árvore e que sai da árvore, num contínuo processo natural de “Ser”. Sem início e sem fim. Sem propósito e gerador de infinitos caminhos. Os sábios optaram por apontar o processo, indicando-o simplesmente como “O Caminho”.

Quem o entende verdadeiramente opta por não o nomear. Ciente de que toda a identificação incorre no perigo de o objetificar, reduzir e enviesar a apenas um dos inúmeros destinos e propósitos que continuarão a emanar deste. Uma enorme potência vazia, sem forma e sem nome. Com uma inclinação para a bondade e a coesão. Não toma partidos ou fações, leva uns e outros, atuando de forma simples e plena como um imenso rio, uma vibração primordial num eterno fluxo. Deste infindável Caminho, o amor é o seu perfume, permeando todas as cores e não-cores, luzes e sombras, formas e não-formas, vida e morte. No caos e na ordem, no bem e no mal, na abundância e na escassez, na saúde a na doença, por toda a relação e por toda a eternidade. É caso para dizer “Amén” do Hebraico idem, querendo dizer “verdade”, “certamente”, “ser confiável, seguramente, apoiar”.

Não há controlo total, porém existe interligação e interdependência entre todos os fenómenos. A ordem surge do caos de forma espontânea e as coincidências atraem-se por ressonância. Uma música que brota naturalmente à semelhança de uma jam session ou banda jazz

No filme Mulholland Drive de David Lynch, um dos personagens repete sem parar “No hay Orquestra. No hay Orquestra. No hay Orquestra.” Num repetido mantra para nos despertar à realidade de que não há orquestra. Não há um maestro.

Antes de começarmos a hiperventilar ao pensar nesta imagem de um universo sem piloto… sosseguemos ! Podemos não criar a nossa realidade, porém podemos co-criar a nossa realidade. Não há controlo total, porém existe interligação e interdependência entre todos os fenómenos. A ordem surge do caos de forma espontânea e as coincidências atraem-se por ressonância. Uma música que brota naturalmente à semelhança de uma jam session ou banda jazz. Apesar de cada um tocar por si, assentam todos sobre a mesma natureza no tempo. Todos juntos e por todas as formas viventes e não viventes tecemos esta bela canção da serendipidade. Uns dizem Om (ॐ), porém as variações são genuinamente infinitas.

O Zero contém o Um, todo o Um tem sempre um Verso a decorrer, e deste Uni-verso podemos ver ambos, ao ver-se o dueto temos um teceiro e desta trindade todas as histórias são então cocriadas por um “Era uma vez…” e um simples sopro é mais que suficiente para gerar inúmeras 1001. Dito de outra forma, o vazio é o útero do Uno, o Uno contém a dualidade yin-yang, o observador do yin-yang afeta a realidade pela interação criada… e a partir daí tudo é possível. Este Movimento aqui descrito pode ser observado em todos os movimentos.

O IDEAL DO COMANDO SUPERIOR
O Dao é sempre sem-ação, mas não há nada que deixe de fazer.
Se a este um príncipe aderir, todos os seres desenvolverão-se espontaneamente.
Depois desse desenvolvimento, quando eles quiserem agir,
este os manterá no seu lugar com a unidade original do Sem-nome.
Então haverá finalmente Não-desejo.
E se não houver desejos, haverá tranquilidade.
Então, finalmente, o mundo colocar-se-á a si mesmo em paz.”
~por Lao Zi, capítulo 37 do Dao De Jing : O Livro do Caminho e da Virtude

SER — verbo ; processo em decorrência ; movimento caraterístico do que é próprio
VIDA
 — que é animado ; vivificado
ANIMA — movimento ; animado
ANIMAL — que tem movimento ; que é animado
ESPÉCIE — do latim species, “aparência, aspecto visível, forma, tipo”. Dá origem a especial de “specere”
ESPECIAL — de specere, “olhar para”, com o significado de “próprio, particular, específico”
MAMÍFERO — que amamenta ; que é gerado numa placenta ; que tem sangue quente
HUMILDADE — do latim humilis, “de baixa extração, sem pretensões”, literalmente “relativo ao chão”, relacionado com humus, “terra”
HUMANO — Homo + Humus, “seres da Terra”, em oposição aos seres divinos
SER HUMANO — espécie de animal mamifero ; qualidade de ser da Terra ; processo de conciliação e reciprocidade no mundo das formas

FONTE
A música foi realizada por Max Cooper com o nome “Order from Chaos” usando como base o ritmo das gotas de chuva. Esta faixa foi seguidamente adicionada por Maxime Causeret num belíssimo trabalho, em que é realizada uma exploração humanista das propriedades emergentes da vida. Os mapas que emergem do ritmo lançam um vislumbre sobre a emanação natural das formas animadas a partir das interações entre estas.

2017-11-17T18:39:22+00:00

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