Quando pego num jornal de “hoje” sinto o mesmo como se pegasse num jornal do ano passado… notícias velhas e gastas. Trocam os personagens, alguns detalhes e é mais do mesmo. Com os anos compreendi que o que me é realmente importante, sei-o pela boca dos outros na convivência do dia-a-dia. O mesmo com telejornais e programas da manhã. Assim num mundo a abarrotar de informações sem importância, de caixas de correio a abarrotar de treta, comecei a filtrar o lixo. As questões mais profundas e importantes são intemporais, são universais. Foco então a minha aprendizagem pelo que vale também daqui por 10, 20, 30.. 50 anos. Aqui ou em qualquer lugar.
Troco a memória por entendimento, abdico das fontes que só contenham menos de 1/5 de essência e assim pouco é aquilo que tenho de me lembrar.
A nossa vida, cabeça, memória, tempo… tudo isto tem um limite. Não será melhor preenchê-las com o que é intemporal e global ?
Se somos moldados pelos hábitos parece-me que devo ter uma palavra na escolha dos hábitos que me possam moldar. “Se somos o que comemos” parece-me benéfico colocar alguma consciência no que ingiro. O mesmo se poderá aplicar a tudo o que nos afecta, por outras palavras, tudo… ambiente, trabalho, amigos, relações, informação.
Nesta forma de relação existem sempre dois caminhos : actuar fora ou dentro. Como fora e dentro são apenas conceitos, qualquer caminho é válido, actuo então em ambos. Se um ambiente que sinto como “sujo” me incomoda trabalho a forma como me sinto em relação a isso, ao mesmo tempo que limpo o ambiente. Se uma música me afecta tento aceitá-la ou simplesmente desligá-la. Se gostaria que alguém escutasse os meus pensamentos, coloco a intenção mental nisso ao mesmo tempo que falo.

Há cerca de 10 anos pela Suiça, visitei uma comunidade deste senhor, o Omraam. A experiência, o efeito que teve em mim, ainda hoje sinto. Partilho este texto que encontrei deste !

Omraam Mikhaël Aïvanhov

Existem por esse mundo fora coisas interessantes para ver, para ouvir, para ler, etc., isso é verdade. Mas, ainda assim, procurai não vos deter muito em assuntos que não podem ajudar-vos a transformar a vossa existência, aplicai-vos antes a melhorar a vossa maneira de viver, pois é pela vossa maneira de viver que atraireis o verdadeiro saber. Senão, passar-se-á o seguinte : vós ireis preocupar-vos em acumular conhecimentos por todos os meios que estão à vossa disposição – livros, rádio, cinema, televisão –, mas não guardareis por muito tempo o que ireis registar assim ; alguns anos mais tarde, tudo se terá apagado, porque a vida que levais não influencia favoravelmente a vossa memória e esses conhecimentos desaparecerão.
É inútil perderdes o vosso tempo a adquirir um saber que vos deixará pouco depois. Mas melhorai a vossa maneira de viver e a verdadeira memória começará a despertar em vós, recordar-vos-eis daquilo que aprendestes há milhares de anos ao longo das vossas incarnações. Tomai nota disto e nunca o esqueçais. Naqueles que sabem viver divinamente, todo o saber milenar que neles se registou começa a voltar à sua
consciência.”

~Omraam Mikhaël Aïvanhov