Polímata (do grego polymathēs, que siginfica literalmente “aquele que aprendeu muito”). Alguns dos sinónimos a este termo serão o homem renascentista, o homem universal, o homem do mundo, o multipotencialista. Pessoalmente, gosto do termo “gambuzino” que significará um ser indefinido que tudo pode ser. Adquire forma e existência, moldando-se à definição que cada um entenda acreditar. Tradicionalmente traduz-se o polímata ou o homem renascentista, como pessoa cujo conhecimento não está restrito a uma única área e que detém um grande conhecimento em diversos assuntos. Prende-se à ideia daquele que entende todo o ser humano, como um ser de potenciais ilimitados a desenvolver. Talentos vastos que emergirão a todo aquele que se mostre apto a dedicar-se a adquirir a habilidade. Esta é uma ideia antiga, que encontrou muita expressão no humanismo renascentista, de que seríamos seres fortes e ilimitados nas nossas capacidades. Conduz à noção de que todo o ser humano deverá abraçar todo o conhecimento e desenvolver as suas capacidades continuamente. E que só realizando-se em pleno pode o ser humano ser completo, inteiro.

O Humanismo é uma das principais características da mentalidade renascentista, que valoriza o ser humano e as suas capacidades, afirmando a dignidade de todo o ser. Em que o ser humano apresenta-se como o investigador por excelência da natureza e do mundo em todas as suas dimensões. Cresce profundamente e de forma vasta. Ganhando raízes, estende a copa.

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Ao longo dos anos foram inúmeras as vezes que fui continuamente pressionado a estreitar uma resposta a “Que fazes tu?” ou “O que és tu?”. Atualmente tornou-se simples de responder : “Respirar e brilhar, é a minha atividade principal e paralelamente dedico-me a outras atividades que também gosto.”
Sempre que familiares, amigos, companheir@s, (des)conhecid@s nos colocam certas perguntas retóricas ou apontam inclinações como desvios, indiretamente é também colocada a pressão de que não paramos quietos, como se fosse uma coisa errada e deveríamos estabilizar numa forma e especialidade que os outros consigam definir, entender e catalogar. Indiretamente é também colocada a pressão que estamos sempre em busca, como se fosse uma coisa errada. A nossa paixão e entusiasmo em aprender continuamente, de desenvolver ideias e mergulhar nos mistérios mais profundos, é confudida e apontada como invulgar, errada, anormal, desviada. Mais rapidamente poderemos escutar “és um workaholic, estás sempre a trabalhar”, “tu não descansas ? Devias parar mais e fazer este ou aquela atividade que eu gosto de fazer nos tempos livres.” Dificilmente, poderemos escutar “é impressionante a forma como fazes o que gostas diariamente!”, “é uma inspiração ver como mergulhas na tua paixão e estás sempre pronto a aprender do início”, “admiro a forma como arregaças as mangas para realizar e desenvolver os teus sonhos”, “quando for grande quero ser como tu”.
Foram também necessários vários anos até que desenvolve-se a resiliência e o entendimento sobre mim próprio para borrifar a todos os que nos tentam demover, para sermos mais como outros acham que deveríamos ser e a realizar as actividades que estes gostam de fazer nos seus tempos livres, a conformar-mos ao normal e ao seu estreito entendimento, do que será melhor para nós. O que não falta por aí são especialistas, pessoas dedicadas a uma única função e que convergem a um padrão onde se conformam e desejam encaixar-se para assim ser aceites, tentado convergir outros pelo caminho. E ainda bem, há espaço a todos e todos somos espetaculares nos nossos papéis por mais divergentes que sejam.

Este artigo e vídeo é dedicado a todos os divergentes, aqueles que não encaixam, os inconformados, os homens da renascença, as mulheres da renascença, os multipotencialistas, ou simplesmente os curiosos que estão sempre prontos a tomar a pílula vermelha e mergulhar a fundo pela toca do coelho.

O que queres ser quando fores grande?” Porque é que alguns de nós não tem apenas uma verdadeira vocação. Um multipotencialista é alguém com muitos interesses e objetivos criativos, tendo três superpoderes. O primeiro superpoder dos multipotencialistas é a Síntese de ideias.
Isto é, combinando dois ou mais campos consegue criar algo novo na sua intersecção. O segundo superpoder dos multipotencialistas é a Rápida Aprendizagem. Quando nos interessamos por alguma coisa, interessamo-nos a fundo. Observamos tudo a que pudermos lançar mão. Estamos também habituados a sermos principiantes, porque temos sido principiantes tantas vezes no passado, e isto significa que temos menos receio de tentar coisas novas e de sair das nossas zonas de conforto. Além disso, muitas das competências são transferíveis entre disciplinas, e trazemos tudo o que aprendemos para cada nova área que seguimos, por isso, raramente começamos do zero. O terceiro superpoder dos multipotencialistas é a Adaptabilidade: isto é, a capacidade de assumir a forma do que for necessário sermos numa dada situação.
Síntese de ideias, aprendizagem rápida e adaptabilidade : três capacidades de que os multipotencialistas são muito adeptos, e três capacidades que poderão perder se forem pressionados a estreitar o foco. Infelizmente, os multipotencialistas são, em larga medida, encorajados a serem mais como os seus pares especialistas. Aos multipotencialistas… para vocês, eu digo : Aceitem as vossas muitas paixões. Sigam a vossa curiosidade pelas tocas de coelho abaixo. Explorem as vossas intersecções. Aceitar a forma como foram feitos conduz a uma vida mais feliz e autêntica e, talvez, mais importante : multipotencialistas, o mundo precisa de nós. Obrigada.”

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