Elementar Philo-Sofia

No descobrir da verdade dois movimentos são fundamentais : observar e interpretar. Nenhum processo pode substituir o outro e ambos formam um par que é uno. Se a ciência é a perna direita, a filosofia será a esquerda. E na interpretação da verdade, temos andado coxos. A ciência tem-se movido mancamente por uma filosofia curta, objetiva, material e profundamente redutora.

Pintura da artista turca Sahika Caglar Ozunel (Şahika Çağlar Özünel | فيسبوك). Representado o giro sufi dos dervixes.

No caminho do saber há conhecimento, que incapaz de o comprimir não o compreende em pleno. No caminho do saber há sentir, que incapaz de o definir não o entende em profundidade. Na normalidade do comum esbarramos com o reducionismo grosseiro, do saber em conhecimentos enviesados, do saber em sentires confusos e dispersos.
Emergem os que estudam o dedo que aponta a lua e emergem os que nadam na maionese.
Mergulham os que vão em profundidade, para regressar com asas de silêncio.

De parte a parte, vemos o conciso em conflito com o disperso

Encontramos raciocínios a substituir o sentir e o sentir a excluir todo e qualquer raciocínio.
O pensamento guiado pela presunção. E a dispersão presumida como intuição.
De parte a parte, vemos o conciso em conflito com o disperso.
Umas raras vezes, integrado num harmónico e dinâmico Todo.

A realidade não é racional. O raciocínio é uma das ferramentas que o ser socorre-se, para ordenar em si, um entendimento sobre a realidade. É uma ferramenta inestimável, para quem saiba bem usá-la sem por esta ser usado.

A realidade não é sentimento. O sentimento é um agregado de percepções, que o ser recebe por canais, para experienciar diferentes perspectivas sobre a realidade. É uma ferramenta inestimável, para quem saiba bem usá-la sem por esta ser iludido.

Vamos por partes num movimento integral.

Reducionismo, em filosofia, é o nome dado a teorias correlatas que afirmam, grosso modo, que objectos, fenómenos, teorias e significados complexos podem ser sempre reduzidos, ou seja, expresso em unidades diferentes, a fim de explicá-los, nas suas partes constituintes mais simples.”

Holismo, é a concepção, nas ciências humanas e sociais, que defende a importância da compreensão integral dos fenómenos e não a análise isolada dos seus constituintes.”

O reducionista tende a reduzir tudo a cinzas e o holista a expandir tudo à dispersão.

Introduções feitas podemos continuar com duas belas palestras do TED :

O primeiro passo, é compreender que a lógica é algo dinâmico que pode existir em vários sistemas, por vezes contrários e ainda assim “válidos”

O entendimento comum sobre a “lógica”, advém de pressupostos, que vamos apanhando ao longo dos tempos pela escola, filmes e outros meios. A certa altura, desenvolvemos um entendimento de uma lógica, condicionado por essas mesmas vagas percepções. Por vezes assume a lógica de uma batata, que em nós, é percebido como “O Lógico”, sinónimo de “A Verdade Absoluta Universal Irrefutável”. Também as emoções, sentimentos e afins, tendem a desagregar-se pelos mesmos meios.

O primeiro passo, é compreender que a lógica é algo dinâmico que pode existir em vários sistemas, por vezes contrários e ainda assim “válidos”. Na linguagem comum quando a lógica é apontada, refere-se a um tipo de lógica, muito reduzida e compartimentada, que é a lógica clássica modal.
E mesmo quando saímos deste tipo, as incursões não se afastam da lógica clássica grega. Na vasta maioria das vezes a lógica é reduzida à lógica de primeira ordem (proposicional).

A partir desta fazem-se raciocínios equivocados, típico como nos exemplos seguintes :

“As crianças são felizes, puras e infantis. Logo, se eu for infantil serei feliz e puro”
“Se 1 +1 vai ser igual a 2 então 1 + 1 é o mesmo que 2”
“Se o valor de algo é apontado num preço. Se o preço é afectado pelo custo. Então tem mais valor quanto mais custa”

A partir destes reducionismos grosseiros, formam-se “adultos” que confundem ingenuidade com ignorância e liberdade com irresponsabilidade. Produzem-se medicamentos com moléculas “iguais” às do corpo humano, para mais tarde serem retiradas do mercado quando começam a dar merda da grossa. Surgem os trabalhadores/empregadores, que confundem valor produtivo com queixas de sacrifícios, custo e tormentas.

falta nos investigadores a filosofia, mesmo nos seus princípios mais básicos. Pratica-se uma má ciência, repleta de equívocos e dogmas no geral

Sendo o reducionismo, um equívoco típico no método científico, convém reforçar, que o problema não está apenas no método, no sistema, na ciência, religião, ideologia ou qualquer outro sistema. O problema ocorre, principalmente, pela forma equivocada como esse sistema é utilizado ou entendido.

Na ciência actual e na investigação por esta, falta nos investigadores a filosofia, mesmo nos seus princípios mais básicos. Pratica-se uma má ciência, repleta de equívocos e dogmas no geral. Que felizmente, é abanada por muito boa gente e excelentes investigadores.

Princípios basilares de filosofia para investigadores

Comecemos por vislumbrar a História da Lógica.

A seguir, passemos entender as definições das lógicas e de alguns dos diferentes tipos de lógica. Sim existem vários e alguns vão parecer estar em conflito enquanto não aprendermos a integrá-los.

pensamento oriental, parece encaixar-se, como uma linguagem mais adequada, às recentes descobertas da física quântica

É interessante notar que no desenvolvimento da física quântica, a lógica e linguagem moderna revelam-se desadequadas.

Quando era estudante e conheci a mecânica quântica, três coisas impressionaram-me de imediato. Primeiro, a sua incrível beleza matemática. Segundo, a incrível precisão e funcionamento das previsões. E em terceiro, pelo fato de… não fazer sentido.”
~Anton Zeilinger, principal investigador de física quântica

Alguns físicos, começaram já a notar que a linguagem de tradições antigas como o budismo e o daoismo, presente no pensamento oriental, parece encaixar-se, como uma linguagem mais adequada, às recentes descobertas da física quântica. Começando a surgir livros, como o Tao da Física ou Einestein e Buda.

Outra forma de dizer que falta filosofia à ciência actual e aos praticantes, é falta epistemologia.

Como é que um médico, um investigador ou mesmo um engenheiro, pode investigar sobre “verdade”, se nem sequer conhece o termo paradigma? E até a forma, como este irá afectar a investigação.

discute-se muito o que entra num sistema, mas raramente o sistema em si

Para se falar de “verdade” tem de se entender a matriz da qual partem os raciocínios. Se realizo um programa devo conhecer o sistema, a matriz, o meio envolvente de onde esse programa parte. Conhecer onde poderá vir a ser inserido e a forma, como o mesmo pode ser deturpado ou reduzido, pela percepção dos utilizadores e mesmo pela minha.

É necessário também entender o que é o raciocínio, as limitações deste e promover um raciocínio crítico (espirito non-credo). Infelizmente discute-se muito o que entra num sistema, mas raramente o sistema em si. Expresso em linguagem geek… fala-se dos argumentos de entrada e saída, sem se estudar ou colocar em causa a função, onde esses dados entram ou saem.

Conclusão

O sistema está cheio de bugs e mesmo os mais estáveis são eternamente Betas. Palavra de programador !
Queres provas ? Prova esta ! Bom apetite !