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Ontem percorria alegremente a ilha entre a chuva e o nevoeiro. Toda a família vibrava e dizia “Que bonito ! Sem a névoa e chuva deve ser ainda melhor.”. Constatávamos a sorte que tínhamos e contentados sentia-mo-nos contentes, simplesmente felizes. Internamente fiz uma prece, por todos aqueles que nas mesmas condições, tem vindo a ser incapazes de sentir o mesmo contentamento. Que acreditam piamente que a alegria é fruto das condições, do tempo, do espaço, das posses, dos afectos, de tudo o que lhe falta. Incapazes de se contentar, iludidos pela inveja (do latim, in veja, veja internamente que tem a mesma capacidade), por tanto tempo reféns das suas próprias expectativas, do que poderia ser ou ter sido. Que tanto desejam um dia vir a ser felizes, que sabotam-se nessa mesma crença. Incapazes de compreender, que a felicidade não é um lugar, com certas condições desejadas e antes um caminho que se avança independentemente das condições. O caminho do contentamento é o caminho do contente. A felicidade é um caminho não um destino.
cageAquele que procura ser feliz em concreto apenas será feliz em momentos de concretização, Breves instantes de atingir um pico para seguidamente descer a pique, findo o objetivo realizado, conquistado o desejado, riscado o item da lista de concretizações.
Não queiras vir a “ser feliz”, foca-te em “continuar a ser feliz”. Se compreenderes o que é este continuum, a felicidade será o teu rio, a tua estrada com mais ou menos balanços, sabores e dissabores.
O caminho faz-se caminhando, o horizonte é paisagem.
Ser é um verbo, assim como a felicidade. No princípio existia o verbo e no fim também.
A chave do estar contente deriva simplesmente do contentamento. Entende, aceita isto e ativamente continua a ser a melhor versão de ti mesmo. No teu passo, sem correr, “limita-te” a ser… a melhor versão de ti mesmo. E a natureza do ser é ser, crescendo sempre, que simplesmente, em si cai.
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