Atualmente existem dezenas a centenas de milhares de produtos alimentares. A vasta maioria deste produtos entram na categoria de “Porcaria-Comestível” (Porca-Comes). Desenvolvidas para “saber bem” e para criar dependência no consumidor, à semelhança de outras drogas.

As empresas destas Porca-Comes investem metade dos seus lucros em publicidade para incutir-nos associações como “este produto é bom”, “apetece-me este produto”, “vou ser mais satisfeito com este produto”, “é de qualidade e barato”, etc.

Cabe-nos a nós consumidores, aprendermos a distinguir e a avaliar os produtos, de forma mais ativa. Devemos reconhecer as velhas artimanhas e ter a capacidade de detectar as novas. Para os inexperientes neste jogo, o início é sempre difícil. A boa notícia é que simplifica-se com a prática.

Seguem-se algumas dicas gerais para ajudar o consumidor a aprender a escolher.

1. A publicidade induz

O objetivo da publicidade não é informar, mas de formar associações a um produto para que o consumidor o deseje.

2. Existem alimentos e porca-comes

Alimentos e porca-comes existem dentro de um supermercado. De forma semelhante temos nos nossos intestinos uma fauna de bactérias boas e outras más. O nosso bem estar intestinal dependerá da nossa capacidade de alimentar mais umas ou outras.

3. Nem todo o comestível é alimento

Ser comestível não quer dizer que seja um alimento.

Exemplos : o açúcar não é um alimento, nutricionalmente é vazio. Alguém poderá chamar comida gourmet ao “foie gras” (o estômago inchado e processado de um ganso) daí a dizer que é um alimento vai uma distância (discutível)

4. Mesmo que tenha nutrientes pode ser um porca-come

Exemplos : desfazemos carcaças de animais com um ácido, cozemos o pó resultante até fazer uma goma, colocamos corantes, conservantes, açúcar e criamos uma goma em forma de banana (ou ursinhos). Nutricionalmente, esta porca-come, têm potássio, sódio e hidratos de carbono… porém melhor será rebobinarmos o filme.

5. Os alimentos são pouco-processados

Os alimentos tendem a ser produzidos pela terra, ter pouco processamento, poucos ingredientes e estes deveriam ser reconhecidos pelos nossos tetravós.

Exemplos : cenouras, maçãs, arroz, esparguete, brócolos, azeite, etc.

6. As porca-comes são ultra-processadas

As porca-comes tendem a ser ultra-processadas em fábrica, ter muitos ingredientes e químicos, ingredientes desconhecidos e “fórmulas secretas”.

Exemplos : coca-cola para canos, gomas para crianças, sopas instantâneas, etc.

7. O cão e o gato rejeitam

Se nem o cão ou o gato comem, desconfia (considerando que ainda tenham os sentidos apurados).

8. As porca-comes dão referências… vazias

As porca-comes usam palavras-chave para nos iludir e que não querem dizer absolutamente nada.

Exemplos : “Enriquecido com”, “Natural”, “100%”, “Recomendado por”, “Oferta”, “Essencial”, “Nº1”, “A escolha de”, “Testado em laboratório”, “Comprovado cientificamente”, “Qualidade suprema”, “Gourmet”, “Plus+”, “Nova fórmula”, “Ultra”, “Especial”, etc ;

9. As porca-comes para crianças usam diminutivos

As marcas de porca-comes para crianças costumam ter nomes diminutivos ou com sufixos “…inho”, “…ito”. Outra prática comum é incluir imagens de crianças, criar uma embalagem visualmente infantil ou com palavras alusivas como “crianças”, “cereais pokemon”. Esta dica foi dada por uma pediatra.

Exemplos : Salsichas (for kids), Danoninho, Douradinhos, Doritos,Tulicreme, etc.

10. As porca-comes mascaram-se

As marcas de porca-comes tendem a mascarar a embalagem com palavras como “green”, “nature”, “gourmet”, etc.

11. As porca-comes patrocinam

As marcas de porca-comes tendem a “patrocinar” ou “apoiar” tudo e mais alguma coisa.

12. “Pelo fruto conhecemos a árvore”

Pelo fruto conhecemos a árvore” e como tal devemos inteirar-nos de conhecer o produtor. Saber que queixas foram movidas contra este, se tem ações no tribunal, denúncias por abuso dos direitos humanos, qual tem sido a sua conduta no passado, no presente, etc.

Exemplos : o que sabemos do passado de marcas como McDonalds, Coca-cola, Nestlé…