Espanta-nos aquilo a que somos alheios… distantes, afastados, alienados.
Toca-nos aquilo que nos é íntimo. Violenta-nos aquilo que nos é próximo.
Aquele que toca não violenta, aquele que é íntimo, não se aproxima… pois já é de dentro.


— “Joguei o lixo lá para fora”
 — responde o tolo.
— O que é “lixo” e o que é “lá fora”? — pergunta o sábio.

Damos o nome fronteira a uma linha imaginária e se rebentam bombas para lá dizemos lá ‘fora’, se rebentam para cá, dizemos cá ‘dentro’. De certa forma, continuamos a mijar em cantos para delimitar territórios.

— “Além crescem ervas daninhas!” — exclama o discípulo.
“Porque é que uma erva, é daninha?” — pergunta o mestre.

Se morrem africanos de ébola é a vida, se morre um branco é o terror.

Damos o nome fronteira a uma linha imaginária e se rebentam bombas para lá dizemos lá ‘fora’, se rebentam para cá, dizemos cá ‘dentro’. De certa forma, continuamos a mijar em cantos para delimitar territórios.

Por cada pessoa desnutrida no mundo há duas obesas. Apregoamos em produzir mais comida e no dever de comer tudo no prato.
Ontem morreram 27 mil pessoas com fome e 8 mil por obesidade.
Hoje nasceram 400 mil crianças no mundo e que me importa se hoje nasce o meu sobrinho, é o dia mais feliz.

Escuto que apego é amor. Digo é medo, medo da perda do amor.
Escuto que desapego é falta de interesse. Digo que o amor não é interesseiro.
Escuto que ódio é o contrário do amor. Digo que medo é o contrário do amor e o ódio o contrário de paixão.
Escuto que paixão é amor. Digo que paixão é desejo, é tesão, intenção, anseio individual. O amor é vontade, é força universal.

Ontem morreram 130 mil seres humanos no mundo, hoje morreu alguém que conheci. Os cavaleiros da armadura vociferam ao nu de coração aberto, “és um insensível, não tens coração”.

Chamam-no incompreensível e exigem esclarecimentos. Se clarifica dizem que se justifica e como tal culpado será. Se nada diz, é perigoso e perseguem-no, para que se justifique.

Caindo as paredes do coração este estende-se para o invisível, tocando todos os espaços até à distância de um muro.
Dizem “Mal alheio não cura a minha dor”. Certo que não, o que cura é o amor, desfazendo o “minha”.

Escuto que sofrimento é compaixão. Digo que sofrimento é a dor que é minha, compaixão é a dor que é nossa, compaixão não é sofrimento, é a cura.

O que é lá “fora”? Qual a distância que separa a mente do coração ? A distância a que fechamos a porta ao que nos toca, é a distância ao que consideramos próximo e longe. Dizem que é diferente, digo que é distância. Diferente é o estranho. E perante o estranho diz-lhe a rosa “Sou uma flor doce, sensível e delicada. Aperta-me com força e te picarás pelas tuas próprias mãos.”

Se entendes cuida, se estranhas cuida…do. Entender é amar, se amas entende. Se entendes cuida, se estranhas cuida…do. Entender é amar, se amas entende. Se entendes cuida, se estranhas cuida…do. Entender é amar, se amas entende. Se entendes cuida, se estranhas cuida…do. Entender é amar, se amas entende.