A alimentação é mais importante que a nutrição

“A alimentação é mais importante que a nutrição”, ao referir isto costumo receber olhares intrigados.
Na palestra do Colin Campbell, ocorrida em Lisboa, o mesmo refere que criou o termo “Whole Nutrition” (Nutrição Completa) ao perceber a insuficiência do termo “Nutrição”. Em inglês, não existe o termo “Alimentação” e penso que surgiu daí a necessidade de criarem este termo. Outro termo criado foi o de “Nutrição funcional” que procura também libertar-se do condicionamento do paradigma meramente nutricional, ainda assim parece-me que dando um enorme passo numa abordagem mais integral ainda assim fica aquém. É talvez por isso que gosto tanto da abordagem oriental e a macrobiótica, enquanto abordagens integrais à saúde, em todos os aspectos e não unicamente o físico, o mental e o medido.
Pessoalmente, acredito que o termo “Alimentação” é óptimo, se for entendido que “Nutrição” não é sinónimo de “Alimentação” e antes um dos vários aspectos desta.
Esta tendência natural para fazermos reducionismos brutos, esta ultra-simplificação ocorre em todas as áreas de conhecimento. Procuramos o princípio activo e o passivo. O bom e o mau. A solução ou pílula mágica que vai resolver todos os problemas. Que consoante as modas vai tomando diferentes nomes como sementes mágicas de chia, chlorella, sumos verdes, smoothies, magnésio, ferro, curcuma, antioxidantes, cálcio… escolham um. Ainda que sejam aspectos importantes, isoladamente, pouco valem.

O todo transcende a soma das partes

Carl Sagan ilustrou isto muito bem na experiência em que mistura todos os componentes químicos que constituem um ser humano nas exactas proporções. Olhando para esta experiência parece-nos quase infantil a abordagem, no entanto, este tipo de raciocínios e abordagens são realizados e cristalizados diariamente.
Carl Sagan misturas componentes para fazer um humano